Château

Château Bélair-Monange

O Belair que os livros do século XIX punham no topo de Saint-Émilion, rebatizado pela casa Moueix em 2008 e unido ao Magdelaine em 2012: 26 hectares de planalto calcário e argila azul.


O château

Durante quase todo o século XIX este foi o primeiro nome de Saint-Émilion. André Jullien, o negociante parisiense cuja Topographie de tous les vignobles connus, de 1816, levantou os vinhedos do mundo, pôs o Château du Bel-Air à frente de todas as outras vinhas da encosta na edição de 1832. A lista de 1841 abria a primeira classe com o Bel-Air de Marignan, com 25 tonneaux (a antiga medida bordalesa de uma colheita, 900 litros, ou 4 barricas), e William Franck, cujo Traité sur les vins du Médoc saiu pela primeira vez em 1824, encabeçava em 1853 os vinhos da primeira marca com o Château-Belair do barão de Marignan. Em 1868 Charles Cocks e Édouard Féret, cujo Bordeaux et ses vins era a obra de referência do comércio de Bordeaux, escreveram que o cru sempre estivera à frente dos primeiros crus de Saint-Émilion, e lhe davam 15 hectares e um château muito antigo com adegas escavadas na rocha.

A família Canolle, descendente do soldado inglês Robert Knolles, governador da Guyenne, cujo nome foi afrancesado para Canolle, ficou com o Bélair em 1688. Em 1752 já tinha cerca de 13 hectares, o château foi construído nos anos 1750 e em 1788 o vinho já era envelhecido na propriedade. A filoxera o atingiu em cheio: em 1897 o domínio tinha 13 hectares, muito devastados. A Établissements Jean-Pierre Moueix o comprou em 2008 e o rebatizou com Monange, o nome de solteira da mãe de Jean-Pierre Moueix, a primeira mulher da família a vir da Corrèze para Saint-Émilion. Em 2012 foi unido ao Château Magdelaine, um Premier Grand Cru Classé B que a casa tinha desde 1952, e a lista aprovada em setembro de 2022 confirmou o Bélair-Monange entre os 14 Premiers Grands Crus Classés. Christian Moueix é o presidente da casa, e o filho, Edouard, o diretor-geral.

Os 26 hectares ficam em parcelas contíguas sobre 3 solos: uma camada fina de argila sobre o calcário de astérias no planalto, que chega a 88 metros; argila azul sobre rocha calcária nos terraços voltados para o sul, logo abaixo; argila arenosa sobre argila profunda nas encostas do sul. A plantação é de 90% de merlot e 10% de cabernet franc, e depois de 2008 foi feita uma seleção massal a partir de parcelas plantadas no fim do século XIX. O terreno fica em pousio por 5 a 7 anos e as coberturas vegetais são semeadas parcela por parcela. O vinho fermenta em concreto e inox e passa de 16 a 18 meses em carvalho francês, metade novo. Herzog e de Meuron projetaram a nova adega, de 74 metros por 36, a partir de dezembro de 2015; a obra começou em março de 2019 e o prédio, que já recebeu a colheita de 2022, ficou pronto em abril de 2023. O Annonce de Bélair-Monange é o segundo vinho e o Haut Roc Blanquant, o terceiro.

De relance

Denominação
Saint-Émilion Grand Cru
Comuna
Saint-Émilion
Classificação
Premier Grand Cru Classé B em 2022; Guia MICHELIN, 1 uva (2026)
Proprietário
Établissements Jean-Pierre Moueix, desde 2008
Direção
Christian Moueix, presidente; Edouard Moueix, diretor-geral
Vinhedo
26 hectares em parcelas contíguas; unido ao Château Magdelaine em 2012
Solo
Argila fina sobre calcário de astérias no planalto, a 88 metros; argila azul sobre rocha nos terraços; argila arenosa sobre argila profunda nas encostas
Uvas
Merlot 90%, cabernet franc 10%
Cultivo
Pousio de 5 a 7 anos; coberturas vegetais por parcela; seleção massal de vinhas do século XIX
Adega
Concreto e inox; 16 a 18 meses em carvalho francês, 50% novo; nova adega de Herzog e de Meuron, construída de 2019 a 2023
Vinhos
Château Bélair-Monange; Annonce de Bélair-Monange; Haut Roc Blanquant
Na história
O primeiro da encosta de Saint-Émilion em 1832, 1841 e 1853

Fontes: Château Bélair-Monange, história · Château Bélair-Monange, terroir · Château Bélair-Monange, a adega · Château Bélair-Monange, os vinhos · Établissements Jean-Pierre Moueix, Château Bélair-Monange · INAO, Saint-Émilion grand cru: a classificação para a próxima década

O registro

O Château Bélair-Monange é Premier Grand Cru Classé B (2022), na denominação Saint-Émilion Grand Cru.

Saint-Émilion Grand Cru é uma denominação, não uma categoria. Um vinho pode ostentá-la sem ocupar lugar nenhum na classificação de Saint-Émilion.

Na primeira seleção de Bordeaux do Guia MICHELIN, anunciada em 8 de setembro de 2026, recebeu 1 uva, o símbolo do guia, de 3 possíveis, 1 dos 37 châteaux nesse patamar.

Fontes: INAO, Saint-Émilion grand cru · Guia MICHELIN, seleção de Bordeaux

Cru Classé

Somente por convite.

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