Château

Château Coufran

A propriedade do Médoc que deu as costas ao cabernet: 76 hectares em 1 bloco perto do estuário, em Saint-Seurin-de-Cadourne, replantados com merlot pela família Miailhe depois de 1924.

Denominação
Haut-Médoc

O château

No século XVIII o abade Baurein registrou o Coufran como a casa nobre de Cousran. Pertenceu ao barão de Brane e, depois da Revolução, a Jean-Valère Cabarrus. Em 1845 William Franck, cujo Traité sur les vins du Médoc saiu pela primeira vez em 1824, ainda listava o Coufran junto com o Pontoise, de Adolphe Cabarrus, com 125 a 130 tonneaux (a antiga medida bordalesa de uma colheita, 900 litros, ou 4 barricas); em 1850 Charles Cocks, na primeira edição do que viria a ser a obra de referência do comércio de Bordeaux, já separava os 2 e dava o Coufran a de Verthamon, a 65. O conde de Verthamon o vendeu à família Célérier, dona a partir de 1869. Em 1898 o guia, já assinado por Cocks e Édouard Féret, descreve 110 hectares, 35 deles de vinhas em elevações de argila e cascalho argiloso, plantadas quase só com cabernet sauvignon, que davam um vinho encorpado e perfumado, procurado sobretudo na Inglaterra.

É o avesso exato do Coufran de hoje. Louis Miailhe o comprou em 1924, fixou a grafia do nome e replantou o vinhedo sobretudo com merlot, depois que os vinhos de cabernet venderam mal nas crises daqueles anos. O filho, Jean, o sucedeu, e desde cerca de 1980 os filhos de Jean estão à frente: Eric Miailhe faz o vinho, Marie-Cécile Vicaire cuida das contas. A propriedade irmã é o Château Verdignan.

Os 76 hectares ficam em 1 bloco num planalto alto de cascalho e argila ao norte do vilarejo, perto do estuário. O grand vin (o primeiro vinho da propriedade) tem em geral 85% de merlot e 15% de cabernet sauvignon, de vinhas de cerca de 50 anos, e é esse peso do merlot na margem esquerda que levou um jornalista a chamar o Coufran de Pomerol do Médoc. Os merlots entram primeiro e os cabernets depois, parcela por parcela, e cerca de 2 terços da colheita vão para o grand vin, que fermenta em inox com temperatura controlada e passa 12 meses em carvalho francês, 25% novo; Éric Boissenot ajuda a montar o corte em dezembro. Toda garrafa desde a safra 2005 leva o número do lote gravado no vidro. O cultivo tem a certificação da Aquitânia para a agricultura respeitosa do ambiente, no 2º nível, e Haute Valeur Environnementale (Alto Valor Ambiental, a certificação ambiental do Estado francês para as propriedades agrícolas), nível 3. Os outros vinhos são o N°2 de Coufran e o Château La Rose Maréchale.

Provei o 2010 em setembro de 2024: encorpado, com acidez viva, ameixa, figo e frutas secas concentradas, a cor começando a mostrar a idade, mas com muita vida pela frente. Pelo preço, prova que não é preciso gastar uma fortuna para beber um grande Bordeaux. É um vinho ao qual sempre volto.

De relance

Denominação
Haut-Médoc
Comuna
Saint-Seurin-de-Cadourne
Classificação
Sem classificação
Proprietários
A família Miailhe, desde 1924; Eric Miailhe e Marie-Cécile Vicaire
Consultor
Éric Boissenot
Vinhedo
76 hectares em 1 bloco; vinhas de cerca de 50 anos
Solo
Cascalho e argila num planalto alto junto ao estuário
Uvas
Grand vin em geral merlot 85%, cabernet sauvignon 15%
Cultivo
Agriculture Respectueuse de l’Environnement en Aquitaine, 2º nível; Haute Valeur Environnementale, nível 3
Adega
Parcela por parcela; inox; 12 meses em carvalho francês, 25% novo; número do lote gravado na garrafa desde 2005
Vinhos
Château Coufran; N°2 de Coufran; Château La Rose Maréchale
Na história
A família Célérier a partir de 1869; 35 hectares de vinhas quase só de cabernet sauvignon em 1898

Fontes: Château Coufran, a propriedade · Château Coufran, en quelques mots · Château Coufran, l’héritage · Château Coufran, le grand vin · Château Coufran, de la vigne à la bouteille · Guto Assumpção no Instagram, Château Coufran 2010, 12 de setembro de 2024 · Guto Assumpção no Instagram, Château Coufran 2010, 26 de dezembro de 2024

O registro

O Château Coufran está na denominação Haut-Médoc.

A Classificação de 1855 foi publicada em 18 de abril de 1855, elaborada pelos corretores da praça de Bordeaux para a Exposição Universal de Paris.

Fonte: Conseil des Grands Crus Classés en 1855

Cru Classé

Somente por convite.

Degustações

2

Daqui em diante

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