Château

Château Lafite Rothschild

O primeiro cru do extremo norte de Pauillac, da família Rothschild desde agosto de 1868: 112 hectares de cascalho fino sobre calcário, e um vinho que os livros punham em primeiro muito antes de a classificação de 1855 torná-lo oficial.


O château

O Lafite fica no extremo norte de Pauillac, sobre cascalho fino e profundo misturado a areia trazida pelo vento, em subsolo calcário do Terciário. O vinhedo chega a 112 hectares, 4,5 deles do outro lado da divisa, em Saint-Estèphe. A posição dele se definiu cedo. André Jullien, o negociante de vinhos de Paris cuja Topographie de tous les vignobles connus, de 1816, percorreu os vinhedos do mundo, contava 4 vinhos de primeira classe em toda a França, e o Lafite, que ele grafava Lafitte e chamava de clos, era 1 deles. William Franck, cujo Traité sur les vins du Médoc saiu pela primeira vez em 1824, o cotava naquele ano de 2.300 a 2.400 francos o tonneau (a antiga medida bordalesa de uma colheita, 900 litros, ou 4 barricas), sob Scott, com 120 a 150 tonneaux.

O barão James de Rothschild comprou a propriedade em agosto de 1868, quando a escritura a media em 63 hectares, 73 ares e 60 centiares, e a venda pegou o comércio no meio da impressão. Charles Cocks e Édouard Féret, cujo Bordeaux et ses vins era a obra de referência do comércio de Bordeaux, ainda traziam os herdeiros Vanlerberghe nas tabelas de 1868 e anunciavam o leilão, enquanto uma nota inserida no prefácio quando a última folha ia para a prensa registrava a propriedade vendida em 8 de agosto a James de Rothschild por 4.140.000 francos. O planalto de Carruades, o cascalho argiloso e profundo a oeste, foi incorporado antes do fim do século. A família nunca mais largou a propriedade.

O grand vin (o primeiro vinho da propriedade) se apoia no cabernet sauvignon, depois no merlot, com um pouco de petit verdot, e só entram nele vinhas com mais de 10 anos; alguns pés não enxertados de antes da filoxera ainda estão de pé, 140 anos depois. O Carruades de Lafite leva mais merlot e o resto da colheita. Éric Kohler dirige a parte técnica do Lafite e do Duhart-Milon. O rótulo gravado apareceu em 1869, a palavra Pauillac entrou nele em 1889, e na safra 2018 um balão de ar quente foi escondido na gravura para marcar os 150 anos dos Rothschild na propriedade. Um cedro acompanha a casa há quase 300 anos.

Numa vertical que provei em dezembro de 2024, do Carruades de 2021 até o 1988, 2 vinhos empataram como os melhores da noite. O 2009 era opulento, com menta e eucalipto sobre fruta escura, geleia de cereja e violetas; o 1988 era concentrado e evoluído, com fruta vermelha, ameixa, terra, trufa e couro, um final muito longo e um equilíbrio incrível.

De relance

Denominação
Pauillac
Classificação
Premier Cru Classé 1855; Guia MICHELIN, 3 uvas (2026)
Proprietários
A família Rothschild, Domaines Barons de Rothschild, desde agosto de 1868
Direção
Éric Kohler, diretor técnico
Vinhedo
112 hectares, 4,5 deles em Saint-Estèphe; só vinhas com mais de 10 anos no grand vin
Solo
Cascalho fino e profundo com areia trazida pelo vento sobre calcário do Terciário
Uvas
Cabernet sauvignon, merlot, petit verdot, um pouco de cabernet franc
Vinhos
Château Lafite Rothschild; Carruades de Lafite
Na história
1 dos 4 vinhos de primeira classe da França em 1816; vendido em 8 de agosto de 1868 por 4.140.000 francos

Fontes: Château Lafite Rothschild, a propriedade · Château Lafite Rothschild, história · Château Lafite Rothschild, nas raízes · Château Lafite Rothschild, uma questão de etiqueta · Conseil des Grands Crus Classés en 1855, Pauillac · Guto Assumpção no Instagram, uma degustação de 7 vinhos, 10 de dezembro de 2024

O registro

O Château Lafite Rothschild é Premier Cru Classé da Classificação de 1855, na denominação Pauillac.

A Classificação de 1855 foi publicada em 18 de abril de 1855, elaborada pelos corretores da praça de Bordeaux para a Exposição Universal de Paris.

Na primeira seleção de Bordeaux do Guia MICHELIN, anunciada em 8 de setembro de 2026, recebeu 3 uvas, o símbolo do guia, a nota máxima, 1 dos apenas 9 châteaux nesse patamar.

Fontes: Conseil des Grands Crus Classés en 1855 · Guia MICHELIN, seleção de Bordeaux

Cru Classé

Somente por convite.

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