Château
Château Lynch-Bages
O quinto cru do planalto de Bages, com o nome de uma família irlandesa de Galway, conduzido pela família Cazes desde 1934 e feito desde 2020 em adegas de Chien Chung Pei.
- Denominação
- Pauillac
- No Instagram
- @chateaulynchbages
O château
O nome vem da família Lynch, de origem irlandesa. John Lynch deixou Galway rumo a Bordeaux em 1691, e o filho dele, Thomas, adquiriu o Domaine de Bages em 9 de junho de 1750 ao se casar com a filha de Pierre Drouillard. Depois a propriedade perdeu o nome Lynch antes de recuperá-lo. William Franck, cujo Traité sur les vins du Médoc saiu pela primeira vez em 1824, a trazia naquele ano apenas como Lynch, com 100 a 120 tonneaux (a antiga medida bordalesa de uma colheita, 900 litros, ou 4 barricas) e sem classificação; a edição de 1845 a trazia como antigo Lynch, em Bages, agora Jurine, com 70 a 80 tonneaux, e cotava o Lynch de Pauillac a 1.800 francos o tonneau contra 3.450 do Lafitte. O agrônomo d’Armailhacq escreveu em 1855 que Jurine tinha comprado a propriedade do cavaleiro Lynch logo ao sul da cidade, cerca de 40 hectares, e a classificou como 5º cru, como fizeram os corretores. Os irmãos Cayrou a compraram em 1862, e Charles Cocks e Édouard Féret, cujo Bordeaux et ses vins era a obra de referência do comércio de Bordeaux, imprimiram o nome Lynch-Bages pela primeira vez em 1868, em nome de M. et H. Cayrou.
Jean-Charles Cazes assumiu o Lynch-Bages em 1934, na longa ressaca do crash de 1929. O filho dele, André, recuperou o vinhedo depois de 1945, o filho de André, Jean-Michel, se juntou a ele em 1973, e o filho de Jean-Michel, um segundo Jean-Charles, assumiu as propriedades da família em 2007. Daniel Llose é o diretor técnico-geral desde 28 de agosto de 1976, com Nicolas Labenne como diretor técnico e Franck Debrais no vinhedo desde 2008.
O vinhedo tem 105 hectares no planalto de Bages, ao sul e a sudoeste da cidade, sobre cascalho profundo da Garonne, seixos e areia que absorvem o calor de dia e o devolvem à noite, o que mantém a videira num crescimento moderado e com raiz funda. As vinhas têm 30 anos em média, as parcelas mais velhas bem mais que isso, e o tinto é plantado com 71% de cabernet sauvignon, 22% de merlot, 4% de cabernet franc e 3% de petit verdot. A partir de 2006 o solo foi mapeado por satélite e as 90 parcelas viraram 200 subparcelas, para que cada casta fique no solo que lhe convém. A propriedade tem Haute Valeur Environnementale (Alto Valor Ambiental, a certificação ambiental do Estado francês para as propriedades agrícolas), nível 3, desde 2018.
Chien Chung Pei desenhou as novas adegas. A demolição dos prédios antigos começou em fevereiro de 2017, e quase 4 anos de obra terminaram com a safra 2020, a primeira feita ali. A sala de cubas tem 80 cubas troncocônicas de parede dupla, cada uma com controle próprio de temperatura e 6 delas montadas em elevadores; a uva viaja por gravidade em minicubas de 7 hectolitros e chega às cubas sem bomba, e a adega de barricas, subterrânea, comporta 2 colheitas lado a lado. O grand vin (o primeiro vinho da propriedade) passa 18 meses em carvalho francês, 75% novo. O Echo de Lynch-Bages, o segundo vinho, tem esse nome desde 2008 e antes era o Château Haut-Bages Avérous; leva de 25 a 40% da colheita, sobretudo das vinhas mais jovens. O Blanc de Lynch-Bages, de sauvignon blanc, sémillon e muscadelle, saiu pela primeira vez em 1990.
O vinho recompensa a espera. O 2010, que provei em outubro de 2025, é monumental e ainda jovem: cassis, cereja, ameixa e grafite, acidez alta e taninos firmes e polidos, um Pauillac clássico com músculo e finesse, e décadas pela frente. O 1975, provado no mesmo mês, mostrou a outra ponta do caminho, quase 50 anos depois, com a estrutura e a maturidade ainda de mãos dadas.
De relance
- Denominação
- Pauillac
- Comuna
- Pauillac, no planalto de Bages
- Classificação
- Cinquième Cru Classé 1855; Guia MICHELIN, 1 uva (2026)
- Proprietários
- A família Cazes, desde 1934
- Direção
- Jean-Charles Cazes, coproprietário e diretor-geral, desde 2007; Daniel Llose, diretor técnico-geral, desde 28 de agosto de 1976; Nicolas Labenne, diretor técnico; Franck Debrais, vinhedo, desde 2008
- Vinhedo
- 105 hectares; vinhas de 30 anos em média; 200 subparcelas desde 2006
- Solo
- Cascalho profundo da Garonne, seixos e areia
- Uvas
- Tinto: cabernet sauvignon 71%, merlot 22%, cabernet franc 4%, petit verdot 3%. Branco: sauvignon blanc 63%, sémillon 25%, muscadelle 12%
- Cultivo
- Haute Valeur Environnementale, nível 3, desde 2018
- Adega
- De Chien Chung Pei, primeira safra em 2020; 80 cubas troncocônicas, 6 em elevadores, tudo por gravidade; 18 meses em carvalho francês, 75% novo
- Vinhos
- Château Lynch-Bages; Echo de Lynch-Bages, com esse nome desde 2008; Blanc de Lynch-Bages, desde 1990
- Na história
- Lynch em 1824; Jurine, antigo Lynch, em 1845; Lynch-Bages a partir de 1868
Fontes: Château Lynch-Bages · Château Lynch-Bages, o terroir · Château Lynch-Bages, a história · Château Lynch-Bages, as novas adegas · Domaines Jean-Michel Cazes, a equipe · Conseil des Grands Crus Classés en 1855, Château Lynch-Bages · Union des Grands Crus de Bordeaux, Château Lynch-Bages · Château Lynch-Bages, Echo de Lynch-Bages · Château Lynch-Bages, Blanc de Lynch-Bages · Château Lynch-Bages, as safras · Pei Architects, a adega do Château Lynch-Bages · Guto Assumpção no Instagram, Château Lynch-Bages 2010, 7 de outubro de 2025 · Guto Assumpção no Instagram, Château Lynch-Bages 1975, 22 de outubro de 2025
O registro
O Château Lynch-Bages é Cinquième Cru Classé da Classificação de 1855, na denominação Pauillac.
A Classificação de 1855 foi publicada em 18 de abril de 1855, elaborada pelos corretores da praça de Bordeaux para a Exposição Universal de Paris.
Na primeira seleção de Bordeaux do Guia MICHELIN, anunciada em 8 de setembro de 2026, recebeu 1 uva, o símbolo do guia, de 3 possíveis, 1 dos 37 châteaux nesse patamar.
Fontes: Conseil des Grands Crus Classés en 1855 · Guia MICHELIN, seleção de Bordeaux
Cru Classé
Somente por convite.
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