Château

Château Latour

O primeiro cru a 300 metros do Gironde, cujo grand vin (o primeiro vinho da propriedade) vem só das vinhas muradas de L’Enclos, em cultivo orgânico desde 2015 e, desde a safra 2011, posto à venda só quando a propriedade o julga pronto.

Denominação
Pauillac
Classificação
Premier Cru Classé 1855
No Instagram
@artemisdomaines

O château

O Latour fica no extremo sul de Pauillac, a 300 metros do estuário, e a maior parte das vinhas cresce em colinas de cascalho de 12 a 16 metros acima dele. O coração é L’Enclos, a parcela murada de 47 hectares em volta do château, drenada no século XIX: cascalho argiloso no centro, areia cascalhenta nas bordas e argila margosa por baixo. O grand vin vem só das vinhas velhas de L’Enclos, que têm 60 anos em média, e o cabernet sauvignon passa de 90% do corte. A propriedade inteira tem 96,5 hectares e cerca de 900.000 pés, com cerca de 76% de cabernet sauvignon e 22% de merlot e o resto em cabernet franc e petit verdot, e cerca de 90 pessoas trabalham nela.

O Latour foi primeiro cru em todos os livros que classificaram o Médoc, mas o seu preço nem sempre foi decidido por ele. William Franck, cujo Traité sur les vins du Médoc saiu pela primeira vez em 1824, lhe dava 70 a 90 tonneaux (a antiga medida bordalesa de uma colheita, 900 litros, ou 4 barricas) sob o conde de la Palu e escrevia que os ingleses o compravam quase todo ano em que o tempo permitia. Charles Cocks, em Bordeaux: Its Wines and the Claret Country, de 1846, registrou que desde 1844 a colheita inteira estava arrendada à casa Barton et Guestier por 10 anos; o poeta Biarnez amaldiçoou nos seus versos de 1849 o corretor que fechou o negócio, e o agrônomo d’Armailhacq tirou a conclusão em 1855: com o Latour e o Château Margaux presos por anos a preço fixo, só o Lafite ficava para o comércio, e o preço dele não conhecia limite.

A partir de 1842 a propriedade pertenceu a uma Société Civile dos descendentes dos Ségur, e só a eles até 1962, quando o grupo Pearson ficou com 53% e a Harveys of Bristol, depois parte da Allied Lyons, com 25%. Em 1989 a Allied Lyons comprou a parte da Pearson e ficou com 93%, e a família Ségur manteve 7%. Em junho de 1993 François Pinault comprou a participação da Allied Lyons pela Artémis, a holding da família, e o Latour está hoje dentro da Artémis Domaines. Frédéric Engerer chegou no começo de 1995, virou gerente em 1998 e hoje é presidente e diretor executivo; Hélène Génin é a diretora da propriedade, Pierre-Henri Chabot o mestre de adega e Domingo Sanchez cuida do vinhedo, com Éric Boissenot nos cortes.

Os cavalos voltaram ao vinhedo em 2008, o modo de conduzir as vinhas foi revisto em 2009, e o vinhedo inteiro está em cultivo orgânico desde agosto de 2015; a certificação Ecocert de agosto de 2018 cobre também a vinícola, e preparados biodinâmicos são usados em todo o L’Enclos e em algumas parcelas fora dele. O Latour esteve entre os primeiros de Bordeaux a adotar o inox, nos anos 1960. Os prédios foram refeitos de novembro de 1999 a setembro de 2003, e a sala de cubas, renovada em 2001, tem mais de 80 cubas de inox de 12 a 164 hectolitros. O grand vin vai todo ano para barricas novas no primeiro ano e depois passa de 10 a 13 meses na adega de segundo ano.

O Les Forts de Latour tira o nome de uma parcela histórica dentro de L’Enclos e ganhou esse rótulo pela primeira vez em 1966; leva de 25 a 30% de merlot, passa por 50 a 60% de carvalho novo e usa também parcelas mais velhas fora de L’Enclos, 7 hectares nos terraços de cascalho de Artigues comprados em 2005 e cerca de 5 outros comprados em 2012. O Pauillac de Château Latour, o terceiro vinho, é feito todo ano desde 1989, com cerca de 45% de merlot e cerca de 20% de barricas novas. A última safra vendida en primeur foi a 2011; desde então os vinhos saem pelos negociantes da Place de Bordeaux quando a propriedade os julga prontos, e uma adega construída em 2012 os guarda até lá. O 2004, que provei em novembro de 2025, vem de uma safra sem brilho de vitrine, e o Latour não precisa de uma safra espetacular: um vinho de grafite, cassis, cedro e ervas finas, firme e linear, com a potência intacta enquanto os aromas se abrem. Para entender por que o Latour é o Latour, o 2004 explica em voz baixa.

De relance

Denominação
Pauillac
Classificação
Premier Cru Classé 1855
Proprietário
Artémis Domaines, da família Pinault, desde junho de 1993; os descendentes dos Ségur a partir de 1842, com a Pearson e a Harveys of Bristol a partir de 1962; a Allied Lyons com 93% a partir de 1989
Direção
Frédéric Engerer, presidente e diretor executivo, no Latour desde 1995; Hélène Génin, diretora da propriedade; Pierre-Henri Chabot, mestre de adega; Domingo Sanchez, vinhedo
Consultor
Éric Boissenot, nos cortes
Vinhedo
96,5 hectares, cerca de 900.000 pés; L’Enclos, o coração murado, 47 hectares de vinhas velhas com 60 anos em média
Solo
Colinas de cascalho de 12 a 16 metros acima do Gironde; em L’Enclos, cascalho argiloso, areia cascalhenta nas bordas, argila margosa por baixo
Uvas
Cabernet sauvignon cerca de 76%, merlot cerca de 22%, o resto cabernet franc e petit verdot
Cultivo
Orgânico desde agosto de 2015, certificado pela Ecocert em agosto de 2018; preparados biodinâmicos em todo o L’Enclos; cavalos desde 2008
Adega
Mais de 80 cubas de inox de 12 a 164 hectolitros; 100% de barricas novas para o grand vin, 50 a 60% para o Les Forts, cerca de 20% para o Pauillac
Vinhos
Château Latour; Les Forts de Latour, com esse rótulo desde 1966; Pauillac de Château Latour, todo ano desde 1989
Venda
Sem en primeur depois da safra 2011; vendido quando julgado pronto
Na história
A colheita inteira arrendada à Barton et Guestier por 10 anos a partir de 1844

Fontes: Conseil des Grands Crus Classés en 1855, Château Latour · Artémis Domaines · Château Latour, since 1331 · Château Latour, a terra de Pauillac · Château Latour, de geração em geração · Château Latour, a equipe · Château Latour, o grand vin · Château Latour, Les Forts de Latour · Château Latour, o Pauillac · Decanter, Château Latour deixa o en primeur · Guto Assumpção no Instagram, Château Latour 2004, 20 de novembro de 2025

O registro

O Château Latour é Premier Cru Classé da Classificação de 1855, na denominação Pauillac.

A Classificação de 1855 foi publicada em 18 de abril de 1855, elaborada pelos corretores da praça de Bordeaux para a Exposição Universal de Paris.

Fonte: Conseil des Grands Crus Classés en 1855

Cru Classé

Somente por convite.

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