Os Château Case Files
Uma herança dividiu Pichon em dois?
Em 1850 uma escritura repartiu Pichon-Longueville entre os herdeiros do velho barão, e Pauillac data dela o Baron e o Comtesse. Os corretores de 1855 listaram um Pichon. Desde 1868 o guia imprime 2, numa tabela que dizia ter copiado tudo palavra por palavra. Quando Pichon virou dois?
Em 1849 Pierre Biarnez, um poeta de Bordeaux que tinha posto os crus do Médoc em versos rimados, deu uma página a Pichon-Longueville. O vinho, escreveu, ficava "em frente a Latour", elegante e almiscarado "como um homem da corte", não exatamente Rauzan nem Léoville, "mas ele mesmo, Pichon de Longueville".
Depois se voltou para o proprietário. Contou 90 invernos sobre a testa dele e o achou "hábil e pronto para esvaziar o copo", porque todo dia depois do jantar "servem-lhe uma de suas velhas garrafas, que ele esvazia à sobremesa".
O velho era Joseph de Pichon-Longueville, e o livro foi para o prelo no último ano de vida dele. Morreu em 6 de dezembro de 1849, segundo o registro do inventário regional do patrimônio. Em junho do ano seguinte uma escritura repartiu o vinhedo entre os filhos, e Pauillac conta a história dessa escritura desde então.
Pauillac a conta como um corte seco. Uma herança, 1850, um château para o irmão, um château para as irmãs, e desde então 2 vinhos rivais frente a frente, cada um de um lado da estrada: Baron e Comtesse.
O papel faz uma conta mais estranha. Em 1855 os corretores de Bordeaux escreveram um Pichon na classificação, e nenhum decreto ou emenda jamais escreveu um segundo. No entanto, toda edição do guia do comércio imprime essa classificação com 2 Pichons desde 1868, e a edição que acrescentou a linha declarou, uma página antes da tabela, que tinha seguido à risca o documento dos corretores.
Quando, então, Pichon virou dois? A escritura é a resposta óbvia, e é uma escritura de verdade. Este arquivo a confronta com o vinho nas cubas e com a linha nos livros, na ordem em que as coisas aconteceram.
O que os herdeiros tinham a dividir
O vinhedo que o velho deixou valia muito. William Franck, um corretor de Bordeaux cujo Traité sur les vins du Médoc virou o manual do próprio comércio, imprimiu nome por nome as vendas da safra de 1844. A linha de Saint-Lambert diz "Latour, 3.000; Pichon-Longueville, 2.700". Uma propriedade, uma linha, 90% do preço de um primeiro cru, 5 anos antes da escritura.
Sua tabela de 5 safras, de 1833 a 1840, mostra Pichon-Longueville fazendo mais vinho que Latour na coluna de 1833, 150 tonéis contra 100 (o tonel bordalês equivale a 4 barricas, uns 900 litros).
Franck nem sempre o tivera em tão alta conta, detalhe que a história da própria casa não menciona. A primeira edição, de 1824, pôs Pichon-Longueville entre os terceiros crus, com Corse, Cos-Destournel, Calon e Lascombe. Na 2ª edição, de 1845, ele já o tinha promovido. Pauillac e Saint-Lambert, escreveu então, tinham "dois primeiros crus, Lafitte e Latour; dois segundos, Mouton e Pichon-Longueville".
Essa era a herança: um vinhedo ao lado de Latour, sob um nome só, cuja safra de 1844 saíra a 90% do preço do vizinho.
A lei da divisão
A escritura existe, e o inventário regional do patrimônio a leu. Em 17 de junho de 1850 um ato de partilha do domaine de la Baderne, um nome mais antigo do vinhedo, dividiu a propriedade entre os herdeiros de Joseph, 5 deles segundo o relato de Stephen Brook. Os arquitetos Duphot e Benquet avaliaram a casa senhorial com suas dependências em 64.500 francos, e até a capela e a torre ganharam valores próprios.
Charles Saint-Amant, escritor bordalês que percorria o Médoc para o leitor comum em 1855, viu o resultado da estrada. As 2 primeiras construções que o viajante encontra, "quer se vire à direita, quer à esquerda da estrada principal", pertencem à família Pichon. O barão, "não se contentando com o solar paterno", tinha erguido um elegante château no terreno da casa antiga. Do outro lado da estrada ficava "um segundo château, igualmente importante, mas de gosto menos apurado, construído para as irmãs do sr. Pichon".
Saint-Amant culpou a lei, e não a família: "Com a morte do velho barão, que se extinguiu nonagenário, seu domínio, de uma só peça, teve de se submeter à lei do retalhamento."
A lei a que ele se refere é a regra do Código Civil das partes iguais entre os filhos, que reparte um vinhedo como reparte uma fazenda. Se ela reparte também um vinho é outra questão, e as testemunhas de 1855 a responderam.
Ainda um vinho só
Armand d'Armailhacq, proprietário do Médoc que terminou um tratado sobre a vinha no ano da classificação, levou o leitor pela estrada de Bordeaux, passando por Latour, e assentou o vinhedo no papel: 50 hectares, uns 100 tonéis de vinho muito renomado, parte das vinhas dentro de Saint-Julien. O cru, "que era todo de uma peça, sem parcelas, está hoje dividido". O barão tinha ficado com a casa antiga e construído ali "um belíssimo château"; 2 de suas irmãs "construíram juntas um encantador château moderno, entre o do irmão e o de Latour".
Vem então a frase que a lenda deixa de fora:
De resto, o vinho de todos os cointeressados se faz em comum, e não sofreu, por conseguinte, mudança alguma; continua sendo o vinho de Pichon-Longueville.
« du reste, le vin de tous les cointéressés se fait en commun, et il n'a, par conséquent, subi aucun changement ; c'est toujours le vin de Pichon-Longueville »
Sua tabela põe números nisso: "Pichon de Longueville, divisé: Le baron Albert de Pichon, 2/5, 20 hectares; Les comtesses de Pichon et de Lalande, 2/5, 20; La vicomtesse de Lavaur, 1/5, 10." São 3 posses e um cru classificado. No mesmo parágrafo ele segue até Léoville, "dividido em três porções que gozam do mesmo favor", cada uma com verbete próprio. Uma testemunha viu 2 propriedades divididas na mesma estrada e imprimiu só uma delas em pedaços.
Os manuais fizeram o mesmo. A 3ª edição de Franck, de 1853, dá a "Léoville, divisé en trois" 3 linhas, uma para cada proprietário com a própria tonelagem, e imprime Gruaud-Larose "divisé entre" seus herdeiros. Pichon de Longueville fica 4 linhas abaixo: Saint-Lambert, 100 a 120 tonéis, uma linha. Franck sabia imprimir uma propriedade dividida, e não imprimiu Pichon como tal.
Os corretores tampouco. Em abril de 1855 os corretores da Bolsa de Bordeaux, a quem a Câmara de Comércio pedira uma lista dos grandes crus para a exposição que Napoleão III abriu em Paris naquele ano, escreveram Pichon-Longueville uma vez entre os segundos. A coluna do proprietário diz "Baron de Pichon Longueville".
A mesma página mostra que eles tinham uma notação para propriedades repartidas. Léoville é um verbete com 3 proprietários reunidos por uma chave ao lado, Gruau Laroze um verbete com 3, Rauzan um nome desdobrado em chave em Ségla e Gassies. Pichon não ganhou chave. O júri da exposição, segundo o relato do dr. Gaubert em 1857, deu sua medalha de 2ª classe a "M. le baron de Pichon de Longueville, pour son vin de Pichon-Longueville", um homem e um vinho.
Um verbete, 3 donos
Ficou um só por mais tempo do que a lenda admite. Thomas George Shaw, negociante de vinhos londrino, publicou Wine, the Vine, and the Cellar em 1863 com uma gravura encabeçada "Château Pichon de Longueville" e, abaixo dela, 6 versos de Biarnez de 1849, o homem da corte e o petit-maître, o almofadinha. Sua tabela dos segundos crus dá um verbete: "Pichon-Longueville (Pauillac), comtesse Sophie de Pichon, baron de Pichon-Longueville, comtesse de Lalande", seguido de uma área e uma produção.
Um negociante inglês podia, 13 anos depois da partilha, nomear 3 donos e ainda contar um vinho, porque era isso que o comércio lhe vendia.
Alfred Danflou, editor bordalês que fotografava os châteaux para uma série de monografias, nomeou em 1867 "M. le baron de Pichon-Longueville e Mme la comtesse de Lalande, coproprietários deste segundo grande cru", 90 a 100 tonéis entre eles. Também transmitiu o veredicto de um degustador, de que aquele era "un vin de petit maître, un vin de dames", um vinho de almofadinha, um vinho de senhoras, e o rebateu. A palavra é de Biarnez, de 1849, e tinha sido usada para um vinho só. Danflou a repetiu para um cru que, na frase dele mesmo, ainda tinha um nome e 2 donos.
E quando as cubas se separaram? As histórias das próprias casas, e o comércio moderno na esteira delas, separam os vinhos por volta de 1860, com o lado das irmãs sob Virginie, condessa de Lalande. O registro impresso cerca a data: um vinho em 1855, 3 donos numa linha em 1863, coproprietários de um cru em 1867.
A linha que ninguém assinou
Então Édouard Féret, o editor bordalês que assumira o guia do inglês Charles Cocks, imprimiu a 2ª edição em 1868, e a classificação mudou sem que ninguém a mudasse. Na página 90, sob o título CLASSIFICATION DES GRANDS VINS ROUGES, ele explica ao leitor o que vem a seguir:
Para estas cinco categorias de grandes crus, seguimos textualmente o último documento oficial estabelecido pela Câmara sindical dos corretores em 1855.
« Pour ces cinq catégories de grands crûs, nous avons suivi textuellement le dernier document officiel établi par la Chambre syndicale des courtiers en 1855. »
A tabela começa na página seguinte. Seus segundos crus dizem "Pichon-Longueville. Pichon-Longueville-Lalande", com o barão ao lado do primeiro e a condessa ao lado do segundo. As páginas da comuna trazem as primeiras colheitas separadas que algum livro desta biblioteca imprime: 50 a 60 tonéis para o lado Pichon-Longueville, 30 a 40 para a condessa de Lalande.
Uma nota de rodapé explica o que a tabela acabou de fazer: os crus de Pichon-Longueville "pertencem há muitíssimo tempo à família de Pichon-Longueville. Antigamente reunidos, eram conhecidos sob o nome de Batisse". O livro acrescenta uma linha à lista de 1855 e conta ao leitor, em corpo miúdo, que as 2 coisas que acaba de separar eram uma coisa só.
A 3ª edição, de 1874, discorda de si mesma. Sua tabela de classificação, na página 83, imprime 2 Pichons entre os segundos. Suas páginas de Pauillac, na página 160, imprimem 3: "Ch. de Pichon-Longueville (baron Raoul de Pichon-Longueville) 55. Ch. de Pichon-Longueville (vicomtesse de Lavaur) 30. Château de Pichon-Longueville-Lalande (comtesse de Lalande) 50." O barão é Albert em d'Armailhacq e Raoul nos guias a partir de 1874; os relatos modernos dizem que a parte passou a um primo do mesmo nome, e este arquivo deixa a questão aí.
O inventário do patrimônio transcreve a nota em que o guia concede que "essas três partes não formam, por assim dizer, senão duas", já que as vinhas da viscondessa de Lavaur eram cultivadas em comum com as do barão; nosso exemplar traz só o fim dessa frase. Assim, num mesmo volume, com 77 páginas de intervalo, a mesma propriedade é 2 crus numa página e 3 em outra, e o autor sabe disso.
Dali em diante a conta se acomoda nos dois que o mundo conhece, e os números vagueiam. A edição inglesa de 1883 dá ao barão 60 tonéis e à condessa, grafada "Mrs Carlos de Lalande", 70, a metade das irmãs agora a maior no papel. O suplemento de 1901 imprime 5 safras lado a lado, e as 2 linhas diferem em todas as colunas. Em 1920 um autor londrino anônimo que assinava G.A.K. deu aos 2 châteaux seções separadas e abriu a primeira dizendo que "they formed originally one estate", que originalmente formavam uma propriedade só.
A garantia viaja junto com a tabela. A 9ª edição, de 1922, imprime a frase de novo, acrescentando apenas as palavras "cuja tabela está ao lado", e a tabela ao lado imprime Pichon-Longueville e Pichon-Longueville-Lalande em linhas consecutivas. São 54 anos de cópia palavra por palavra, e o número de palavras aumentou. A mesma frase cobre o desaparecimento silencioso do nome Dubignon no Caso 03; a cópia que ali perdeu um nome aqui ganhou um.
Grégoire Croidieu e Walter W. Powell, sociólogos das organizações que montaram uma base de dados a partir de 6 edições deste guia, escreveram em 2024 que "o número de propriedades de 1855, embora fixo, não para de mudar à medida que as organizações se dividem, se fundem, cessam ou ressurgem". Contaram 57 no início e 62 no total até 1929. Pichon é uma das 5 que a lista fixa ganhou.
O que o mercado fez com isso
As 2 metades tiveram então um século para virar coisas diferentes. A família vendeu o lado do barão em 1933 aos Bouteiller, e a AXA o comprou em 1987, com Jean-Michel Cazes à frente até 2001 e Christian Seely desde então. O lado da condessa passou, segundo Brook, a uma sobrinha em 1882 e depois à família Miailhe, e em 1978 a May-Eliane de Lencquesaing, que o transmitiu em 2007 à casa de Champagne Louis Roederer e à família Rouzaud.
O que o mercado fez com os 2 nomes é mensurável, e 2 economistas mediram. Albert Di Vittorio e Victor Ginsburgh analisaram 29.911 lotes de crus classificados do Médoc em 101 leilões da Christie's, de 1980 a 1992, e indexaram os crus classificados com du Tertre em 100: Lafite 443, Mouton 452, Latour 417, Pichon-Longueville Comtesse 225, Pichon-Longueville Baron 128. Uma escritura, uma categoria, e a metade das irmãs cotada a quase o dobro da metade do irmão.
Os críticos e os economistas também os separaram. Robert Parker, o crítico da época, promoveu uma das metades: Olivier Gergaud e Victor Ginsburgh, estudando se o terroir importava, anotam que "Pichon Lalande, classificado como Primeiro Cru por Parker", tinha vinhas com média de 22 anos.
Colin Hay, economista político que estudava como se formam os preços das vendas antecipadas de Bordeaux, achou a imagem invertida em 2007. O comércio chama de super second o segundo cru que vende como um primeiro. "O Château Pichon-Baron, um 'super second' muito bem considerado, é a exceção", escreveu Hay: um vinho "que adquiriu uma reputação consistente de alta qualidade e, no entanto, um preço de lançamento relativamente modesto em comparação com o de seus pares".
A literatura econômica fez então o que os guias tinham feito, e parou de notar. Orley Ashenfelter, o economista que ensinou a uma geração que 1855 era um ranking de preços, escreveu, citando Penning-Rowsell, que "a classificação de 1855 ordena esses châteaux numa ordem só ligeiramente diferente: Lafite, Latour, Pichon-Lalande, Cos d'Estournel e Montrose". A classificação de 1855 não contém Pichon-Lalande nenhum. A linha que Féret acrescentou em 1868 tinha virado, para o economista mais associado ao assunto, coisa que os corretores escreveram.
Rode de novo o método dos corretores, e os gêmeos voltam a ficar juntos. Quando a bolsa londrina Liv-ex ordenou os crus classificados pelos preços negociados para montar "a classificação que teria sido redigida se os preços de hoje fossem os que vigoravam 154 anos atrás", os 2 Pichons saíram segundos crus, juntos.
Nicolas Glumineau, que dirige o Comtesse desde a colheita de 2012, pôs a coisa nos termos de Pauillac quando a Wine Spectator classificou seu 2018 como o 2º vinho do ano. "O outro cavalo do outro lado da rua", disse ele, "estava na frente por uma cabeça e vinha ganhando a corrida ultimamente."
A sentença
A afirmação em julgamento é que uma herança dividiu Pichon em dois. A escritura de junho de 1850 é real, e a terra que ela repartiu nunca voltou a se juntar. O vinho não a seguiu: um proprietário no ano da classificação escreveu que ele ainda se fazia em comum, um negociante inglês em 1863 imprimiu um verbete com 3 donos, e as próprias casas datam a separação das cubas de mais ou menos 1860. A lista seguiu mais tarde ainda, e por ato nenhum: um Pichon no documento dos corretores de 1855, 2 em toda edição do guia a partir de 1868, e a garantia de um editor, em 1922, de que copiara o original palavra por palavra. A lenda tem a escritura certa e as datas erradas, cerca de uma década de diferença para o vinho e 13 anos para a lista.
Misto. A partilha repartiu a terra em 1850. O vinho aguentou mais uma década, e os livros passaram décadas a mais discordando sobre a conta. A causa é verdadeira; o calendário é falso. Este tribunal julga as duas coisas.
O vinho
Há 2 vinhos agora, um de cada lado da estrada que Saint-Amant percorreu. O Pichon Baron cultiva 73 hectares para a AXA Millésimes, uns 40 deles no terroir original que alimenta o primeiro vinho, com Les Tourelles de Longueville como segundo vinho e o château de torreões dos anos 1850 como rosto. O Pichon Comtesse cultiva 95 hectares para a Louis Roederer, 72% cabernet sauvignon, 24 merlot, 3 cabernet franc e 1 petit verdot, cerca de 150 mil garrafas por ano, com Pichon Comtesse Réserve como segundo vinho e um vinhedo em conversão integral para o orgânico e o biodinâmico. Uma fatia de suas vinhas ainda fica do outro lado da divisa de Saint-Julien, onde d'Armailhacq a encontrou em 1855.
A imprensa especializada que provou a safra 2025 em maio chamou os dois de "the two great Pichon 'super-seconds'", os 2 grandes super seconds Pichon, deu-lhes a mesma nota e os achou "very different but equally captivating", muito diferentes mas igualmente cativantes. É o resumo justo do trabalho de uma escritura de partilha: um platô, 2 personalidades, e uma categoria que os livros deram a um vinho que não existe mais.
Há um lugar onde a divisão nunca aconteceu. Quando cientistas do clima montaram uma base de dados aberta de datas de vindima para reconstruir o tempo de séculos passados, a série composta que construíram para Bordeaux vai de 1449 a 2006, 558 datas, e a série de referência que escolheram para a região inteira é Pichon-Longueville. No registro científico ainda há um Pichon só, e ele é mais velho que a escritura.
Cronologia
| Ano | O que o registro mostra |
|---|---|
| 1694 | A filha de Pierre des Mesures de Rauzan casa-se com Jacques de Pichon, barão de Longueville; o vinhedo entra com ela na família. [G.A.K. 1920] |
| 1816 | Jullien dá a Pauillac um clos com esse nome, de vinhos "muito leves, espirituosos e finos, mas menos ricos em seiva", entre os segundos da paróquia. [Jullien, 1ª ed.] |
| 1824 | 1ª edição de Franck: uma linha, 100 a 120 tonéis, e Pichon-Longueville entre os terceiros crus. [Franck, 1ª ed.] |
| 1845 | 2ª edição de Franck: "dois segundos, Mouton e Pichon-Longueville"; a safra de 1844 vendida a 2.700 francos contra 3.000 de Latour. [Franck, 2ª ed.] |
| 1846 | Cocks lista "Pichon-de-Longueville" uma vez entre os vinhos de Pauillac. [Cocks 1846] |
| 1849 | Biarnez imprime o vinho como uma personagem e seu dono aos 90 anos, esvaziando uma garrafa velha à sobremesa. Joseph morre em 6 de dezembro. [Biarnez 1849; inventário do patrimônio] |
| 1850 | A escritura de 17 de junho reparte a terra; a casa é avaliada em 64.500 francos, a capela em 500, a torre em 1.500. Cocks imprime uma linha, 160 tonéis. [inventário do patrimônio; Cocks 1850] |
| 1853 | Franck imprime "Léoville, divisé en trois" em 3 linhas e Pichon em uma: 100 a 120 tonéis. [Franck, 3ª ed.] |
| 1855 | A tabela dos corretores de 18 de abril: "Pichon Longueville, Pauillac, Baron de Pichon Longueville", uma linha, sem chave. [a tabela dos corretores, cópia certificada] |
| 1855 | D'Armailhacq: dividido na posse, barão Albert 2/5, "o vinho de todos os cointeressados se faz em comum". [d'Armailhacq 1855] |
| 1855 | Saint-Amant: 2 châteaux nos dois lados da estrada principal, o das irmãs "de gosto menos apurado"; a propriedade "teve de se submeter à lei do retalhamento". [Saint-Amant 1855] |
| 1857 | Gaubert relata a medalha de 2ª classe dada pelo júri de 1855 a "M. le baron de Pichon de Longueville, pour son vin de Pichon-Longueville", um homem e um vinho. [Gaubert 1857] |
| 1863 | Shaw, Londres: um verbete, 3 donos, uma produção, e os versos de Biarnez sob uma gravura. [Shaw 1863] |
| 1867 | Danflou: barão e condessa "coproprietários deste segundo grande cru", 90 a 100 tonéis; "un vin de dames". [Danflou 1867] |
| 1868 | Féret declara ter seguido o documento de 1855 "textuellement" e então imprime 2 Pichons, com 50 a 60 e 30 a 40 tonéis, "antigamente reunidos" sob o nome de Batisse. [Cocks e Féret, 2ª ed., pp. 90 a 91 e 137] |
| 1874 | A tabela de classificação, p. 83, imprime 2 Pichons; as páginas de Pauillac, p. 160, imprimem 3, com 55, 30 e 50 tonéis. [Cocks e Féret, 3ª ed.] |
| 1883 a 1901 | A conta se acomoda em dois e os números vagueiam: 60 e 70, 60 e 40, 70 e 75, depois 5 safras lado a lado. [Cocks e Féret, 1883 a 1898; Féret 1901] |
| 1922 | A 9ª edição imprime os dois Pichons numa tabela que diz seguir o documento de 1855 "textualmente". [Cocks e Féret, 9ª ed.] |
| 1980 a 1992 | Índice da Christie's: Comtesse 225, Baron 128, du Tertre 100. [Di Vittorio e Ginsburgh 1994, tabela 7] |
Fontes
Fontes de época, lidas no original.
- André Jullien, Topographie de tous les vignobles connus, 1ª edição, Paris, 1816, os crus de segunda classe de Pauillac.
- William Franck, Traité sur les vins du Médoc et les autres vins rouges du département de la Gironde, 1ª edição, Bordeaux, 1824, a tabela de Saint-Lambert, a classificação e a tabela de preços desde 1745.
- Cyrus Redding, A History and Description of Modern Wines, Londres, 1833, a tabela dos vinhos da Gironda.
- William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 2ª edição, Bordeaux, 1845, o capítulo de Pauillac, as vendas de 1844 e a tabela de quantidades e preços.
- Charles Cocks, Bordeaux: Its Wines, and the Claret Country, Londres, 1846, Pauillac e a classificação.
- Pierre Biarnez, Les grands vins de Bordeaux : poëme, Paris, Plon Frères, 1849, pp. 40 a 41.
- Charles Cocks, Bordeaux, ses environs et ses vins classés par ordre de mérite, Bordeaux, Féret fils, 1850, p. 218 e a classificação, p. 242.
- William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 3ª edição, Bordeaux, 1853, a tabela dos segundos crus.
- A. d'Armailhacq, La culture des vignes, la vinification et les vins dans le Médoc, Bordeaux, 1855, pp. 188 a 189 e o estado dos vinhedos de Pauillac.
- Charles Saint-Amant, Le vin de Bordeaux : promenade en Médoc, Bordeaux, 1855, Pauillac.
- P. Gaubert, Étude sur les vins et les conserves, suivie du compte rendu de la séance de dégustation tenue par les membres de la 11e classe de l'Exposition universelle, Paris, 1857, as premiações.
- Thomas George Shaw, Wine, the Vine, and the Cellar, Londres, 1863, p. 175 e a tabela dos segundos crus.
- Alfred Danflou, Les grands crus bordelais : monographies et photographies des châteaux et vignobles, 2ª série, Bordeaux, 1867, Château Pichon-Longueville.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 2ª edição, Bordeaux, 1868, a nota sobre a classificação e sua tabela, pp. 89 a 91, e Pauillac, pp. 136 a 138.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 3ª edição, Bordeaux, 1874, a tabela de classificação, p. 83, e Pauillac, pp. 160 a 161.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux and its Wines Classified in Order of Merit, 2ª edição inglesa, Bordeaux, 1883, pp. 182 a 183.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 5ª edição, Bordeaux, 1886, pp. 188 a 189.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 6ª edição, Bordeaux, 1893, p. 205.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 7ª edição, Bordeaux, 1898, Pauillac e a tabela de colheitas por cru.
- Édouard Féret, Supplément à la 7e édition de Bordeaux et ses vins, Bordeaux, 1901, as quantidades colhidas nos crus classificados de 1896 a 1900.
- G.A.K., Clarets and Sauternes: Classed Growths of the Médoc and Other Famous Red and White Wines of the Gironde, Londres, 1920, seção XVI, pp. 57 a 60.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 9ª edição, Bordeaux, 1922, pp. 61 a 62, a classificação oficial e sua nota.
Bibliografia moderna e registro público.
- Chambre syndicale des courtiers de commerce près la Bourse de Bordeaux, "Vins rouges classés du département de la Gironde", a tabela anexa à carta de 18 de abril de 1855, na cópia certificada "pour copie conforme" e guardada pela Câmara de Comércio de Bordeaux, lida em fotografias de suas 5 páginas.
- Région Nouvelle-Aquitaine, Inventaire général du patrimoine culturel, dossiê IA33005642, "Château Pichon Longueville", 2012, para a morte de Joseph de Pichon-Longueville, o ato de partilha de 17 de junho de 1850 e suas avaliações, e a concessão de 1874. patrimoine-nouvelle-aquitaine.fr
- Grégoire Croidieu e Walter W. Powell, "Organizations as Carriers of Status and Class Dynamics: A Historical Ethnography of the Emergence of Bordeaux's Cork Aristocracy", em Sociological Thinking in Contemporary Organizational Scholarship, 2024, para os 6 painéis da Féret e a contagem de 57 e 62.
- Albert Di Vittorio e Victor Ginsburgh, "Des enchères comme révélateurs du classement des vins. Les grands crus du Haut-Médoc", Journal de la Société de statistique de Paris, vol. 137, n. 2, 1996, pp. 19 a 49, a versão francesa do artigo de trabalho Pricing Red Wines of Médoc Vintages from 1949 to 1989 at Christie's Auctions, Université Libre de Bruxelles, novembro de 1994, revisto em abril de 1995, tabela 7. Numdam
- Orley Ashenfelter, "Predicting the Quality and Prices of Bordeaux Wines", The Economic Journal, vol. 118, 2008, lido na versão de trabalho de 2007, para a frase sobre a ordem.
- Olivier Gergaud e Victor Ginsburgh, "Natural Endowments, Production Technologies and the Quality of Wines in Bordeaux. Is It Possible to Produce Wine on Paved Roads?", artigo de trabalho, 2007, depois em The Economic Journal, vol. 118, 2008, para a classificação de Parker e a idade das vinhas.
- Colin Hay, "Globalisation and the Institutional Re-embedding of Markets: The Political Economy of Price Formation in the Bordeaux En Primeur Market", New Political Economy, vol. 12, n. 2, 2007, notas 20 e 21. doi.org
- V. Daux e outros, "An Open-Access Database of Grape Harvest Dates for Climate Research: Data Description and Quality Assessment", Climate of the Past, vol. 8, 2012, pp. 1403 a 1418, tabela 1.
- Stephen Brook, The Complete Bordeaux, 4ª edição, Mitchell Beazley, Londres, 2022, pp. 235 a 239, para as sucessões, as datas dos châteaux e a parcela de Saint-Julien.
O comércio, os críticos e os relatos das próprias casas.
- Union des Grands Crus de Bordeaux, a página do Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, para o proprietário, o diretor, o vinhedo, o corte, a produção, o segundo vinho e a conversão. ugcb.net
- Jane Anson, "Chateau Longueville au Baron de Pichon-Longueville", Decanter China, perfil do produtor, para a venda pela família, a compra pela AXA, os diretores, o vinhedo e o segundo vinho. decanterchina.com
- "Back in the Race: 17 Vintages of Bordeaux's Pichon Longueville Lalande", Wine Spectator, Top 100 de 2021, para a colocação, a sala de cubas e a citação de Nicolas Glumineau. winespectator.com
- The Drinks Business, maio de 2026, a reportagem de en primeur sobre Pauillac, para a safra 2025 e a frase sobre os 2 Pichons. thedrinksbusiness.com
- Decanter, 2009, a reportagem sobre a reclassificação da Liv-ex por preço negociado, para o método e a citação de James Miles. decanter.com
Como isto foi verificado
Toda citação de época foi lida no texto original, numa biblioteca particular de mais de 244 mil documentos sobre vinho, o mais antigo de 1373. Quando uma edição inglesa é citada, mantém-se a redação dela; as demais traduções do francês são minhas, com o francês logo abaixo dos trechos que mais importam, para você cotejar as duas versões. Se alguma página citada aqui não disser o que eu digo que diz, escreva para antonio@bordeauxreviews.com e eu corrijo.
Para citar este artigo: Antonio Assumpção, "Uma herança dividiu Pichon em dois?", Bordeaux Reviews, Château Case Files 11/70, 2026, https://bordeauxreviews.com/pt/case-files/uma-heranca-dividiu-pichon-em-dois/.
Antonio "Guto" Assumpção vive na interseção entre o direito e o vinho. Advogado admitido na Flórida, em Nova York e no Rio de Janeiro, é também French Wine Scholar e Master of Bordeaux pela Wine Scholar Guild e possui a certificação WSET Nível 3. Antonio estuda, coleciona e degusta vinhos de Bordeaux há 20 anos, e seus artigos unem a análise detalhada ao olhar de um connoisseur sobre o mundo do vinho. Siga-o no Instagram em @BordeauxReviews.
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Château Pichon Baron: nas notícias
Página do châteauDecanter Fine Wine Index: 4 safras de Pichon Baron que os colecionadores devem acompanhar
A Decanter identifica 4 safras recentes de Château Pichon Baron para os colecionadores acompanharem em seu Fine Wine Index.
Degustações da safra 2025 de Bordeaux: referências de Pauillac
A Wine Spectator degustou referências de Pauillac, Château Pichon Baron, Château Lynch Bages e Grand-Puy-Lacoste, da safra de 2025, classificando a safra do Médoc como de qualidade excepcional e pequena quantidade.
Por que você não pode perder a edição de 2025
O Bordeaux Tasting 2025 reunirá Bordeaux, Champagne, destilados e vinhos estrangeiros no Palais de la Bourse, com degustações conduzidas por produtores e masterclasses. Entre os nomes participantes estão Pichon Baron, Smith Haut Lafitte, Clos Fourtet, Château Pavie, Château d'Yquem e Cheval des Andes.
Advento do vinho #4: os pesos-pesados do Médoc em uma caixa-presente
Château Pichon Baron e Cos d'Estournel estão oferecendo caixas para presente: a vertical de meias-garrafas de 2009, 2012, 2014, 2016, 2017 e 2018 custa €599 na loja do château em Pauillac, enquanto Cos oferece um conjunto de 3 garrafas da safra 2015 pelo seu 10º aniversário.