Château

Château Clerc Milon

Um quinto cru de Pauillac que se desfez no começo do século XX e foi remontado pelo barão Philippe de Rothschild a partir de 1970, entre o Mouton e o Lafite.


O château

A propriedade tira a primeira metade do nome da família Clerc e a segunda de Milon, o lugarejo ao lado, que os Clerc juntaram ao próprio nome em 1850. William Franck, cujo Traité sur les vins du Médoc saiu pela primeira vez em 1824, trazia na edição de 1845 Jean-Baptiste Clerc em Le Pouyalet, com 15 a 20 tonneaux (a antiga medida bordalesa de uma colheita, 900 litros, ou 4 barricas), e 10 anos depois os corretores puseram o nome dele entre os quintos crus. O que veio depois explica por que a propriedade de hoje teve de ser montada em vez de herdada. Em 1901 Édouard Féret, num suplemento ao seu guia, corrigiu a própria 7ª edição: o velho cru estava agora muito dividido, com os herdeiros de Mondon e um senhor Meynieu entre os donos. Em 1920 um livro do comércio, o Clarets and Sauternes, o mostrava repartido em várias porções, a maior delas, a do senhor Mondon, com o direito à marca Clerc-Milon-Mondon, e o cru fazia 25 tonneaux contra 75 no grande ano de 1893.

O barão Philippe de Rothschild o comprou em 1970 e começou a replantar na hora. A filha dele, a baronesa Philippine de Rothschild, o assumiu quando ele morreu, em 1988, e desde a morte dela, em 2014, ele pertence aos seus 3 filhos, Camille Sereys de Rothschild, Philippe Sereys de Rothschild e Julien de Beaumarchais de Rothschild. Caroline Artaud o dirige. O vinhedo fica no norte de Pauillac, na elevação de Mousset, com o Mouton Rothschild de 1 lado e o Lafite Rothschild do outro: 41 hectares em 1 bloco, sobre cascalho e areia trazidos pelo vento por cima de argila e calcário, voltados para o sul e o sudeste, a 10.000 pés por hectare, com vinhas de 47 anos em média. O cabernet sauvignon vem à frente, com merlot, cabernet franc, petit verdot e um plantio de carménère de 1947.

A sala de cubas de 2007 fica meio enterrada, para manter a temperatura, com cerca de 40 pequenas cubas de inox de parede dupla alimentadas por gravidade a partir do andar de cima. A adega de barricas de 2011, desenhada pelo arquiteto Bernard Mazières com o cenógrafo Richard Peduzzi, guarda mais de 1.000 barricas entre paredes de placas quadradas de carvalho, e mais de 300 metros quadrados de painéis solares abastecem ambos os prédios. O vinho passa 18 meses em carvalho francês, com 55% das barricas novas. O Pastourelle de Clerc Milon, segundo vinho, é feito desde 2009, chegou ao mercado em 2015 e é vendido en primeur desde a safra 2020; uma pastourelle é uma canção em que um cavaleiro encontra uma pastora, e os rótulos da casa trazem figuras dançando.

O estilo ficou cada vez mais refinado desde o início dos anos 2000. O 2012, que provei em dezembro de 2025, jogou a favor da safra: era aromático e elegante, todo cedro, grafite, groselha e um toque de especiaria de Pauillac; aos 13 anos os taninos já tinham amaciado, e a estrutura ainda segurava tudo no lugar.

De relance

Denominação
Pauillac
Comuna
Pauillac, na elevação de Mousset, entre o Mouton Rothschild e o Lafite Rothschild
Classificação
Cinquième Cru Classé 1855; Guia MICHELIN, 1 uva (2026)
Proprietários
Os filhos da baronesa Philippine de Rothschild, desde 2014; comprado pelo barão Philippe de Rothschild em 1970
Direção
Caroline Artaud
Vinhedo
41 hectares em 1 bloco; 10.000 pés por hectare; vinhas de 47 anos em média
Solo
Cascalho e areia trazidos pelo vento sobre argila e calcário
Uvas
Cabernet sauvignon à frente, com merlot, cabernet franc, petit verdot e carménère plantada em 1947
Adega
Sala de cubas de 2007, por gravidade; adega de barricas de 2011 de Bernard Mazières com Richard Peduzzi; 18 meses em carvalho francês, 55% novo
Vinhos
Château Clerc Milon; Pastourelle de Clerc Milon, desde 2009
Na história
Muito dividido em 1901; 25 tonneaux em 1920 contra 75 em 1893

Fontes: Château Clerc Milon, o vinhedo · Château Clerc Milon, as datas principais · Château Clerc Milon, a sala de cubas · Union des Grands Crus de Bordeaux, Château Clerc Milon · Baron Philippe de Rothschild, o Pastourelle de Clerc Milon · Guto Assumpção no Instagram, Château Clerc Milon 2012, 1º de dezembro de 2025

O registro

O Château Clerc Milon é Cinquième Cru Classé da Classificação de 1855, na denominação Pauillac.

A Classificação de 1855 foi publicada em 18 de abril de 1855, elaborada pelos corretores da praça de Bordeaux para a Exposição Universal de Paris.

Na primeira seleção de Bordeaux do Guia MICHELIN, anunciada em 8 de setembro de 2026, recebeu 1 uva, o símbolo do guia, de 3 possíveis, 1 dos 37 châteaux nesse patamar.

Fontes: Conseil des Grands Crus Classés en 1855 · Guia MICHELIN, seleção de Bordeaux

Cru Classé

Somente por convite.

Degustações

4

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