Casa do passado
Cruse et Fils Frères
Como ler
As maiúsculas marcam a sílaba forte. O “ü” é um “i” dito com os lábios em bico. Todo “r” soa como o “rr” de “carro”. Ouça o áudio: ele é a referência.
A casa que Hermann Cruse fundou no quai des Chartrons em 1819 comprou as colheitas do Lafite, do Rauzan-Ségla e do Ducru-Beaucaillou, e a família dele comprou o Pontet-Canet e o Laujac.
A casa
Hermann Cruse, nascido em 1790 numa família de Krempe, no Holstein, chegou a Bordeaux em 1815 e fundou a casa em 1819. Em 1843, quando a firma se chamava Cruse & Hirschfeld, o Senado de Hamburgo o fez cônsul da cidade em Bordeaux. Os 3 filhos trabalhavam com ele, e a firma operava como Cruse et Fils Frères no quai des Chartrons.
Luís Napoleão, então príncipe-presidente, foi às adegas do número 123 do quai des Chartrons em 8 de outubro de 1852, com 4 ministros. Cruse, o filho e o genro, Lalande, membro dos conselhos municipal e do distrito, mostraram a ele 400.000 garrafas de premiers crus e pelo menos 15.000 barricas. Numa tenda armada numa oficina de tanoaria, serviram ao príncipe o Château Margaux de 1831 e o Lafite de 1841 e 1844. O príncipe fez muitas perguntas sobre o comércio de exportação, sobretudo com a Inglaterra, a Cruse e a Lalande, e Lalande respondeu longamente; deixou 300 francos para os trabalhadores.
A família pôs dinheiro em terras além de vinho. Comprou o Château Laujac, em Bégadan, em 1852. Em 1865 Henri Herman Cruse comprou o Château Pontet-Canet, em Pauillac, que um livro sobre os crus classificados do Médoc impresso em Londres em 1920 registra como da própria firma. Em 1881, o Château Giscours também já era da família. A casa comprava as grandes colheitas. Charles Cocks e Édouard Féret, cujo Bordeaux et ses vins era o livro de referência do comércio de Bordeaux, a põem entre as casas que compraram a colheita de 1865 do Lafite. Em 1888 ela levou a colheita da parte de Marcelin Clauzel no Château Citran. O livro de Londres de 1920 a mostra no Rauzan-Ségla de 1902 a 1905 e no Langoa em 1908 e 1909. Depois vêm o Cantenac-Brown, em 1911, 1914 e 1917, o Ducru-Beaucaillou, em 1911, 1913 e 1914, e o Saint-Pierre, em 1917. No dia 2 de julho de 1938, quando o comitê nacional das denominações de origem se reuniu, um Cruse estava entre os homens que falavam pelo comércio.
Em junho de 1973 fiscais da receita foram à casa e pediram os livros, numa investigação sobre vinho vendido com a denominação Bordeaux. A casa disse na época que as contas estavam em ordem e que tinha pago cada vinho pelo preço da sua denominação. O caso foi julgado em Bordeaux em 1974, junto com um corretor e outros négociants (negociantes, que compram dos châteaux e revendem), e os 2 membros da família que então dirigiam a casa receberam penas de 1 ano com sursis.
Em 1988 a empresa Cruse et Fils Frères já tinha virado Société des Vins de France et Compagnie, no quai des Chartrons. A família ficou na terra que comprou em 1852: 6 gerações de Cruse trabalharam no Laujac, que Vanessa e René-Philippe Duboscq dirigem desde 2012.
De relance
- Tipo
- Casa do passado
- Sede
- Bordeaux, quai des Chartrons
- Fundação
- 1819, por Hermann Cruse
- Châteaux
- Pontet-Canet, comprado em 1865 e da firma em 1920; Laujac, da família desde 1852; Giscours, já da família em 1881
- No registro
- Lafite 1865; Citran 1888; Rauzan-Ségla de 1902 a 1905; Langoa 1908 e 1909; Cantenac-Brown 1911, 1914 e 1917; Ducru-Beaucaillou 1911, 1913 e 1914; Saint-Pierre 1917
- Hoje
- Já rebatizada Société des Vins de France et Compagnie em 1988
Fontes
- Livros e estudos
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins, 2ª edição, 1868; Congrès international phylloxérique de Bordeaux, Compte rendu général, 1881; Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins, 6ª edição, 1893; G.A.K., Clarets and Sauternes: Classed Growths of the Médoc, 1920; Florian Humbert, L’INAO, de ses origines à la fin des années 1960, 2011; Benoît Lecat, Claude Chapuis, Joelle Brouard e Laurence Cogan, The Case of Cruse Affair for the Bordeaux Wines (Winegate) and Its Consequences on the Burgundy Wine Industry, 2016; Larousse, Journal de l’année, édition 1974, Fraude sur les vins
- Imprensa
- Allgemeine Zeitung, 16 de janeiro de 1843; Königlich privilegirte Altonaer Adreß-Comtoir-Nachrichten, 20 de outubro de 1852
- Châteaux
- Château Laujac, a família Cruse, négociants de Bordeaux; Château Pontet-Canet, 3 séculos, 3 famílias; Château d’Issan, Famille Cruse, 2015
Revisado em 10 de outubro de 2026. Como escolho as fontes
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