Os Château Case Files
O grande vinho precisa de séculos?
Em 1824 o manual do comércio bordalês não trazia Montrose. Em 1855 os corretores classificaram o vinhedo de Saint-Estèphe como Segundo Cru, 40 anos depois das primeiras videiras. Desde então, nenhum nome novo entrou na lista desse jeito. Por quê?
Em 1824 o nome mais alto de Saint-Estèphe mudou de dono, e o manual do comércio bordalês registrou a passagem como registrava tudo: 2 colunas, proprietário anterior e proprietário atual, sem comentário.
O livro é o Traité sur les vins du Médoc, de William Franck, primeira edição do que viria a ser a obra de referência da região. A segunda linha da sua tabela de Saint-Estèphe traz Segur (de) à esquerda e Dumoulin à direita. A propriedade é Calon, o nome mais antigo e mais alto da comuna.
O volume não menciona Montrose em lugar nenhum. Nem na classificação, que vem 25 páginas adiante. Nem no índice de proprietários do fim, que lista 13 nomes em Saint-Estèphe, e nenhum deles é este.
O que os Dumoulin fizeram nos 31 anos seguintes é o contrário do que se espera de uma família dona de um nome grande. Deixaram Calon cair. Charles Cocks, cujo guia dos vinhos de Bordeaux saiu em Londres em 1846, anota isso numa oração só, de passagem: Calon, "embora outrora o primeiro cru da comuna, está hoje entre os quartos". E na mata desbravada logo acima fizeram um vinho que, em 1855, os corretores de Bordeaux classificaram como Segundo Cru do Médoc, num vinhedo de 40 anos.
A crença que este dossiê põe em julgamento é a que todo mundo do vinho repete: o grande terroir se prova ao longo de gerações, e um vinhedo aberto na mata dentro de uma única vida de trabalho ainda não é, por definição, coisa séria. Para quase todo cru classificado, é verdade. Montrose é a exceção, e mesmo os seus 40 anos exageram a espera. O vinho se vendera com os Segundos em 1825, 10 anos depois do plantio, segundo a lembrança, 30 anos mais tarde, de Armand d'Armailhacq, proprietário no Médoc cujo tratado sobre a vinha virou a obra de referência da sua geração. O que levou 40 anos não foi o vinho, e sim o comércio concordar em pôr isso no papel.
Então a pergunta que vale não é se um vinhedo jovem conseguiria chegar à segunda categoria, porque um chegou. É por que nada fez isso depois dele. Cantemerle foi acrescentado à lista naquele setembro com base em vendas que ninguém tinha contado, e Mouton subiu de classe em 1973; nenhum nome novo entrou de fora por ter subido.
Novos crus se formam
Franck lançou sua segunda edição em 1845 e, ao abrir a classificação, contou aos leitores exatamente o que tinha feito com ela. Reimprimia a lista de 1824 com "nenhuma outra mudança além de duas ou três retificações que se tornaram necessárias". Duas ou três em 21 anos: essa é a taxa de revisão do instrumento, declarada por quem tinha a caneta na mão. Algumas linhas adiante ele diz qual foi uma delas:
Não pretendemos, aliás, dar esta enumeração como completa; de tempos em tempos se formam novos crus que merecem ser classificados; foi assim que, no nosso trabalho de 1824, não pudemos incluir o cru de Montrose, em Saint-Estèphe.
« Nous n'entendons point d'ailleurs donner cette énumération comme complète ; de temps à autre se forment de nouveaux crûs qui méritent d'être classés ; c'est ainsi que, dans notre travail de 1824, nous n'avions pu comprendre le crû de Montrose, à Saint-Estèphe. »
William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 2ª edição, Bordeaux, 1845
Novos crus se formam. Merecem ser classificados. A lista é um documento a que se acrescentam coisas, e o único exemplo de acréscimo que ele nomeia é Montrose.
Nas mesmas páginas Franck explica o que uma classe era de fato: vinhos "dotados de igual superioridade" que "devem ser pagos pelo mesmo preço", distribuídos em faixas que o costume sancionara "com força de lei". Depois acrescenta um aviso sobre a linha entre elas. Essa linha "se alarga ou se estreita em certos casos ao sabor de opiniões pouco desinteressadas, que nem sempre se mantêm dentro dos limites da verdade".
A fronteira se move, e se move porque gente interessada a empurra. O homem cujo livro o comércio usava como referência de trabalho escreveu isso 10 anos antes de os corretores traçarem a fronteira que não se mexeu mais.
Se as classes são faixas de preço, a prova está nos preços. No fim do mesmo volume Franck imprime quanto se pagou de fato por propriedades conhecidas em 5 safras entre 1833 e 1840. A primeira linha do bloco de Saint-Estèphe é o vinhedo que não existia em 1824. A linha de baixo é a propriedade que os Dumoulin possuíam quando ele não existia.
| Saint-Estèphe, tabela de 5 safras de Franck | Tonéis produzidos | Francos por tonel |
|---|---|---|
| Montrose (Dumoulin) | 50, 98, 28, 117 | 1.200 e 1.300 |
| Calon (Lestapis) | 100, 120, 125, 45 | 700 e 900 |
| Tronquoy | 75, 98, 90, 30, 86 | 525 e 500 |
| Labory-Cos | 65, 70, 68, 48 | 500, 800 e 575 |
| Tarteyron, em Pez | 113, 117, 100, 80 | 450 e 450 |
William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 2ª edição, Bordeaux, 1845, quantidades e preços de 1833, 1837, 1838, 1839 e 1840. As lacunas nas colunas são do próprio Franck, e ele pede desculpas por elas.
Calon fazia mais vinho. Por Montrose se pagava uns 50% a mais, e vinha sendo assim havia anos. Num documento cujas classes são faixas de preço, isso é prova na moeda do próprio instrumento.
O hábil criador
Alguém tinha tirado aquilo do nada, ou de quase nada, e os livros concordam nisso mesmo quando concordam em pouca coisa. D'Armailhacq chama o vinhedo de "criado recentemente em mata desbravada", que é uma afirmação sobre o solo feita por um homem que cultivava ali perto.
Pelo relato da própria casa, o Dumoulin pai comprara Calon-Ségur em leilão em 1778, com um morro bravio acima do rio incluído no lote, e seu filho Théodore o desbravou e plantou em 1815; a flor rosada da urze no morro, conta a história, é o que batizou a elevação de Mont-Rose. Nenhum livro citado aqui data o plantio ou explica o nome, e o caso não precisa de nenhum dos dois. Precisa dos preços, e esses estão impressos.
O relato mais agudo de como foi feito está em verso. Pierre Biarnez, a quem o guia do próprio comércio chamaria depois de poeta dos grandes vinhos de Bordeaux, pôs o Médoc em alexandrinos, propriedade por propriedade, em 1849. Na versão dele, Calon-Ségur cai abaixo de um terceiro assim que o dono o abandona, e então a mesma mão "explora um terreno que se tornará Montrose".
O Montrose dele já "tem quase dos segundos a finesse e o brilho", e o poeta nomeia a safra que fez o argumento, o 1834: "e se fosse sempre como o 34", escreveu, "sem desvantagem nenhuma poderia enfrentá-los". É um dos poucos lugares deste dossiê em que alguém põe o vinho na boca em vez de numa coluna.
Biarnez deixa a mão como mão. Quem lhe dá nome é Alfred Danflou, cujo levantamento ilustrado das grandes propriedades foi impresso em Bordeaux 18 anos depois e atribui a disposição das fileiras "à iniciativa perseverante do sr. Dumoulin pai, o hábil criador desta magnífica propriedade". Danflou, mais breve que o poeta, diz que o 1834 "fez época no mundo dos gourmets".
Hábil criador, não herdeiro. Montrose foi uma coisa que uma família decidiu construir, e os livros acompanharam a construção.
Ninguém sabia onde colocá-lo
Nos anos 1840 o comércio não chegava a um acordo sobre onde pôr aquele vinho, e disse isso, impresso, durante uma década. A própria classificação de Franck, de 1845, traz o verbete "Montrose Dumoulin, em St.-Estèphe, com frequência como segundos crus", uma lista que discorda de si mesma numa linha só.
Cocks, em Londres no ano seguinte, o dá como um vinho "que pretende também ser posto entre os terceiros, embora tenha sido plantado há muito pouco tempo". Em 1850, quando lançou a edição bordalesa que fundou o guia do comércio, seus segundos crus não trazem vinho nenhum de Saint-Estèphe, e Montrose está entre os Terceiros, com 110 tonéis.
Aí veio a terceira edição de Franck, de 1853, e a discordância virou questão de tipografia. Ele abre o capítulo com o que me parece o parágrafo mais útil deste dossiê: "Tal cru, que certo corretor qualifica de terceiro, não deve, no dizer do seu colega, sair da categoria dos quartos. A lista dos quintos se alarga ou se estreita ao sabor das opiniões particulares."
Ele apresenta sua tabela como uma tentativa "que de modo algum oferecemos como um julgamento em última instância", porque "em matéria assim é de todo impossível obter assentimento unânime". São corretores discordando de corretores, dentro do órgão profissional que emitiria a lista oficial 2 anos depois.
Vire 2 páginas e Montrose está nos terceiros crus, com Calon uma classe abaixo, nos quartos. Ao pé da página, 2 notas em corpo miúdo fazem com a lista exatamente o que Franck dissera que a opinião interessada fazia com ela:
(1) Montrose e Ducru vendem com frequência como segundos crus. (2) Calon e Saint-Pierre venderam algumas vezes como terceiros crus, e é essa a categoria que certos conhecedores lhes atribuem.
« (1) Montrose et Ducru vendent souvent comme seconds crûs. (2) Calon et St-Pierre ont vendu quelquefois comme troisièmes crûs, et c'est le rang que leur assignent certains connaisseurs. »
William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 3ª edição, Bordeaux, 1853
Em 1855 os 2 homens mais bem informados do Médoc publicaram no mesmo ano, e divergiram. D'Armailhacq, percorrendo a comuna, relata o veredito do comércio contra o vinhedo, que "produz um vinho que foi vendido, em 1825, como os segundos crus, e adquiriu de imediato uma reputação muito grande. Desde então, o comércio se recusou a mantê-lo nessa classe, e só quer admiti-lo entre os terceiros". Charles Saint-Amant, que percorreu as mesmas estradas no mesmo ano para um leitor comum, chegou à conclusão oposta: Montrose "é de fato um segundo, e em justiça deveria vir antes de Cos, e não se vende abaixo dele".
Era esse o estado das provas quando o sindicato dos corretores de Bordeaux, a Chambre syndicale des courtiers, montou para a Exposição Universal de Napoleão III, em Paris, a hierarquia que virou a Classificação de 1855.
Ponha o Saint-Estèphe deles ao lado da edição de 1853 de Franck, o parâmetro que todo comprador da cidade já tinha em mãos, e o resultado é uma transcrição com 2 correções. Cos-d'Estournel, Lafon-Rochet e Cos-Labory ficaram exatamente onde Franck os havia posto. Montrose subiu para os Segundos e Calon para os Terceiros. São justamente os dois que Franck tinha anotado ao pé da página, cada um movido na direção que a sua nota dizia que o mercado já o levara.
Os corretores de 1855 não passaram por cima do livro de referência. Promoveram as notas de rodapé à tabela e deixaram o resto da página como estava. O instrumento funcionava, pela última vez.
O livro que não parava de pedir
Ninguém na época achou que 1855 fosse o fim de alguma coisa. Danflou deu a Montrose um capítulo próprio em 1867, repetiu o veredito dos corretores, "conquistou nobremente seu lugar entre os segundos crus", e depois, fechando a série sobre os Segundos, escreveu uma previsão:
Aqui termina a série dos segundos crus; mas, como dissemos, acreditamos que a classificação atual é apenas provisória, e que o Sindicato, de acordo com os enólogos mais eminentes e os degustadores de maior autoridade, terá em breve novos dignitários a proclamar. Assim, Calon, do sr. Lestapis, vizinho de Montrose, merece ser recolocado entre os segundos, que ocupou por muito tempo.
« nous croyons que la classification actuelle n'est que provisoire, et que le Syndicat … aura bientôt à proclamer de nouveaux dignitaires. »
Alfred Danflou, Les grands crus bordelais, Bordeaux, volume de 1867
Provisória, e em breve. Ele descrevia o sistema dentro do qual crescera, em que crus se formavam e linhas se moviam, e acabara de vê-lo fazer exatamente isso com a propriedade do seu próprio capítulo.
No mesmo volume ele fez também algo mais discreto, e é o primeiro sinal do dano. Escreveu que em 1825 Montrose "tomou lugar entre os segundos crus do Médoc, categoria que sempre ocupou com a maior distinção".
Sempre. Franck o tinha como Terceiro em 1845 e em 1853; d'Armailhacq tinha o comércio lhe recusando a classe de cima em 1855. A discussão terminara havia 12 anos, e o mesmo escritor que esperava a próxima revisão já apagava a última do registro. Quando a lista parou de se mexer, só a primeira metade de Danflou sobreviveu, e sobreviveu em toda parte.
Cocks morreu em 1854, e seu guia passou a Édouard Féret, editor bordalês que o publicou pelo resto da vida profissional. Durante 54 anos esse guia reimprimiu uma hierarquia que dizia, no mesmo volume, precisar ser mudada.
O prefácio de 1868 afirma que a classificação segue textualmente o documento dos corretores, e depois explica como um documento desses deveria se comportar: "como todas as instituições humanas, esta está sujeita às leis do tempo, e deve certamente, em certas épocas, ser rejuvenescida". "Tal cru, negligenciado por um proprietário descuidado ou endividado, pode cair nas mãos de um homem rico, ativo e inteligente, e só por isso dar produtos melhores."
Isso é uma descrição do que os Dumoulin tinham feito em Saint-Estèphe, escrita pelas pessoas cujo trabalho era manter o registro. O trecho seguiu nas edições de 1886, 1893 e 1898, com uma palavra reforçada pelo caminho, de certamente para necessariamente.
O guia chegou a imprimir candidatos. A partir de 1886, uma nota sobre um cru bourgeois de Pauillac, Constant-Bages-Monpelou, diz que seu vinho "iguala com frequência em qualidade muitos dos quintos crus, e está chamado a reentrar nessa classe na próxima revisão da classificação", e a mesma frase, reescrita, mas idêntica na substância, ainda está lá em 1922, 36 anos depois.
A classificação dos brancos ganhou um contador. Em 1886 ela fora "feita há trinta anos"; em 1893 o número era 37; em 1922, 65. A cada vez vinha a lista antiga, impressa mais uma vez.
O que sumiu em 1922 foi a frase sobre a classificação estar sujeita às leis do tempo. Os candidatos continuam lá, e o contador segue correndo. O que deixou de ser impresso foi o princípio, e em algum momento entre 1898 e 1922 a casa que mantivera o registro durante meio século desistiu dele.
Uma categoria para ninguém
Montrose, enquanto isso, continuou a ser registrado por um instrumento que podia descrevê-lo, mas já não podia classificá-lo.
Os Dumoulin venderam no inverno de 1865 para 1866, a um industrial de Paris chamado Mathieu Dollfus, por 1.050.000 francos. Danflou, que escreveu com a tinta ainda fresca, acrescenta o detalhe que mostra no que a propriedade tinha se tornado: o preço teria subido 100.000 francos se o comprador tivesse hesitado 2 semanas. Isso se passou 50 anos depois de as primeiras videiras entrarem na mata desbravada, e um atraso tão curto valia um décimo do preço.
Dollfus continuou fazendo o que os Dumoulin tinham feito. Em 1886 a nota do guia sobre Montrose trata de obra: 63 hectares num bloco contínuo, 50 deles obra de Dumoulin e 13 "ganhos pelo sr. Dollfus de terras incultas".
Em 1867 o júri internacional da segunda Exposição Universal de Napoleão III deu a Dollfus uma medalha de ouro por Montrose, na mesma lista que Lafite, Margaux, Latour, Haut-Brion e Mouton. Em 1855 havia uma categoria disponível para registrar algo assim. Em 1867 não havia nenhuma, nem para Montrose nem para ninguém. Havia um livro, que dizia que a lista devia ser rejuvenescida e reimprimia a tabela antiga.
A sentença
Em grande parte verdadeiro. Para quase todo grande château, a afirmação se sustenta: o tempo faz o vinho. Montrose quebrou a regra em 40 anos, e a exceção é a medida de sua grandeza. O grande vinho não precisa de séculos de videira. Precisa de um instrumento capaz de perceber que o vinho chegou, e antes de 1855 o Médoc tinha um, de um tipo que ninguém projetaria de propósito: uma briga. Manuais rivais que se contradiziam, corretores que contradiziam os colegas, notas de rodapé que contradiziam as tabelas de cima, e atravessando tudo isso um único teste que qualquer um podia conferir, que era quanto se tinha pago de fato pelo vinho ao longo de muitos anos. Depois a briga foi resolvida, e a resolução parou a revisão e dissolveu o teste com ela. Oficializada a lista, a categoria passou a fixar o preço em vez de o preço fixar a categoria, e a pergunta sobre se um vinho era pago como Segundo Cru deixou de ter resposta para quem já não fosse Segundo.
Existe, para a pergunta de por que nada subiu desde então, uma resposta séria que não deve nada a listas, e merece ser posta com toda a força. A manobra de Montrose dependeu de 3 coisas ao mesmo tempo: cascalho de primeira que ninguém tinha plantado, uma família com dinheiro, e um motivo para acreditar que o esforço compensaria. A filoxera chegou à Gironda por volta de 1869, o míldio veio nos anos 1880, e entre os dois levaram o capital e a disposição para construir uma propriedade a partir da mata. Nessa leitura, 1855 não congelou nada; é a última fotografia tirada antes de o assunto parar de se mexer. Quanto da imobilidade desde então é o instrumento congelado e quanto é o pulgão, este dossiê não resolve, e a razão honesta é que o silêncio do instrumento é justamente o que nos impede de saber. Bordeaux mantém uma classificação que é revista de verdade, em Saint-Émilion, mais ou menos a cada década, e ela produz rebaixamentos, litígio e propriedades que preferem sair a ser julgadas. Revisão é isso, e não é um processo bonito.
Danflou esperava novos dignitários em poucos anos. A Féret ainda imprimia candidatos para a próxima revisão 55 anos depois. Os dois continuam esperando, e Calon também.
O vinho
Montrose é o Saint-Estèphe que eu poria na frente de qualquer um que ache a denominação austera, e não diria mais nada. O estilo da casa é denso, de trama cerrada e lento, feito para durar como o vizinho do outro lado da estrada não é: se Cos d'Estournel é opulento, Montrose é arquitetônico, e num ano frio pode ser severo durante uma década antes de contar o que é. É o preço do que ele é, e vale pagar. Jane Anson, em Inside Bordeaux, registra que ele "há muito é visto como o Primeiro Cru de St-Estèphe", categoria que documento nenhum confere e todo mundo entende. Compre as safras que ninguém disputa, dê a elas 15 anos, e você vai provar o que os corretores contaram num vinhedo de 40 anos.
Cronologia
| Ano | O que o registro mostra |
|---|---|
| 1778 | O Dumoulin pai compra a propriedade de Calon-Ségur em leilão, com a elevação não plantada acima do rio incluída. [o relato da casa] |
| 1815 | O terreno é desbravado e as primeiras videiras plantadas. [o relato da casa] |
| 1824 | Traité de Franck, 1ª edição: Dumoulin é o proprietário atual da antiga propriedade dos Ségur; Montrose em lugar nenhum do volume. [Franck, 1ª ed., pp. 129 a 130] |
| 1825 | O vinho se vende a preço de segundo cru, segundo d'Armailhacq escrevendo 30 anos depois. [d'Armailhacq, p. 478] |
| 1833 a 1840 | Tabela de 5 safras de Franck: Montrose a 1.200 e 1.300 francos o tonel, Calon a 700 e 900. [Franck, 2ª ed., tabela de quantidades e preços] |
| 1834 | A safra que Biarnez e Danflou destacam; Danflou: "fez época no mundo dos gourmets". [Biarnez, p. 47; Danflou 1867] |
| 1845 | 2ª edição de Franck: "novos crus se formam que merecem ser classificados", Montrose o exemplo; a própria lista dele o registra "com frequência como segundos crus". [Franck, 2ª ed., preâmbulo da classificação] |
| 1849 | Biarnez: a mão que abandonou Calon "explora um terreno que se tornará Montrose". [Biarnez, p. 47] |
| 1850 | Edição bordalesa de Cocks: nenhum vinho de Saint-Estèphe entre os Segundos; Montrose entre os Terceiros, com 110 tonéis. [Cocks 1850, pp. 221 a 222 e 242 a 243] |
| 1853 | 3ª edição de Franck: Montrose Terceiro, com a nota "Montrose e Ducru vendem com frequência como segundos crus"; Calon Quarto, anotado como vendendo às vezes como Terceiro. [Franck, 3ª ed., a classificação] |
| 1855 | D'Armailhacq: "criado recentemente em mata desbravada"; o comércio "só quer admiti-lo entre os terceiros". Saint-Amant: "é de fato um segundo". [d'Armailhacq, p. 478; Saint-Amant, Saint-Estèphe] |
| 1855 | Os corretores classificam Montrose como Segundo Cru e Calon como Terceiro. [Cocks e Féret, 2ª ed., pp. 89 a 92] |
| 1865 a 1866 | A família Dumoulin vende a Mathieu Dollfus, de Paris, por 1.050.000 francos. [Cocks e Féret, 2ª ed., pp. 141 a 142; Danflou 1867] |
| 1867 | Montrose ganha medalha de ouro na Exposição Universal. Danflou: a classificação é "apenas provisória", e Calon "merece ser recolocado entre os segundos". [Cocks e Féret, 2ª ed., pp. 430 a 431; Danflou 1867] |
| 1868 a 1898 | Cocks e Féret, 4 edições: a classificação "deve certamente", depois "deve necessariamente", ser rejuvenescida. [Cocks e Féret, 2ª, 5ª, 6ª e 7ª eds.] |
| 1922 | A 9ª edição: candidatos ainda anotados "na próxima revisão da classificação", a classificação dos brancos "feita há sessenta e cinco anos", a frase sobre o rejuvenescimento sumida. [Cocks e Féret, 9ª ed., pp. 238 a 239, 244 e 259 a 260] |
Fontes
Fontes de época, lidas no original.
- William Franck, Traité sur les vins du Médoc et les autres vins rouges du département de la Gironde, 1ª edição, Bordeaux, 1824, pp. 129 a 130, a tabela de proprietários de Saint-Estèphe.
- William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 2ª edição, Bordeaux, 1845, o preâmbulo da classificação, o esboço da comuna e a tabela de quantidades e preços de 1833 a 1840.
- William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 3ª edição, Bordeaux, 1853, a classificação e suas notas de rodapé.
- Charles Cocks, Bordeaux: Its Wines, and the Claret Country, Londres, 1846, p. 191.
- Pierre Biarnez, Les grands vins de Bordeaux : poëme, Paris, Plon Frères, 1849, pp. 46 a 47.
- Charles Cocks, Bordeaux, ses environs et ses vins classés par ordre de mérite, Bordeaux, Féret fils, 1850, pp. 221 a 222 e 242 a 243.
- A. d'Armailhacq, La culture des vignes, la vinification et les vins dans le Médoc, Bordeaux, 1855, p. 478.
- Charles Saint-Amant, Le vin de Bordeaux : promenade en Médoc, Bordeaux, 1855, as páginas de Saint-Estèphe.
- Alfred Danflou, Les grands crus bordelais : monographies et photographies des châteaux et vignobles, segunda série, Bordeaux, 1867, capítulo 7 dos segundos crus e a passagem que fecha a série.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 2ª edição, Bordeaux, 1868, pp. 89 a 92 e 141 a 142, e pp. 430 a 431 para os prêmios de 1867.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 5ª edição, Bordeaux, 1886, pp. 109, 192, 200 a 204 e 303 a 304.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 6ª edição, Bordeaux, 1893, pp. 107 e 339.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 7ª edição, Bordeaux, 1898, a classificação e as notas de Pauillac.
- Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 9ª edição, Bordeaux, 1922, pp. 238 a 239, 244, 259 a 260 e 450 a 451.
Bibliografia moderna.
- Jane Anson, Inside Bordeaux, Berry Bros. and Rudd Press, Londres, 2020, o capítulo de Saint-Estèphe, para a posição de Montrose na comuna.
O relato da própria casa.
- Château Montrose, a história publicada pela casa, para a compra de 1778 e o plantio de 1815.
Como isto foi verificado
Toda citação de época foi lida no texto original, numa biblioteca particular de mais de 244 mil documentos sobre vinho, o mais antigo de 1373. Quando uma edição inglesa é citada, mantém-se a redação dela; as demais traduções do francês são minhas, com o francês logo abaixo dos trechos que mais importam, para você cotejar as duas versões. Se alguma página citada aqui não disser o que eu digo que diz, escreva para antonio@bordeauxreviews.com e eu corrijo.
Para citar este artigo: Antonio Assumpção, "O grande vinho precisa de séculos?", Bordeaux Reviews, Château Case Files 05/70, 2026, https://bordeauxreviews.com/pt/case-files/grande-vinho-precisa-de-seculos/.
Antonio "Guto" Assumpção vive na interseção entre o direito e o vinho. Advogado admitido na Flórida, em Nova York e no Rio de Janeiro, é também French Wine Scholar e Master of Bordeaux pela Wine Scholar Guild e possui a certificação WSET Nível 3. Antonio estuda, coleciona e degusta vinhos de Bordeaux há 20 anos, e seus artigos unem a análise detalhada ao olhar de um connoisseur sobre o mundo do vinho. Siga-o no Instagram em @BordeauxReviews.
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Château Montrose: nas notícias
Página do châteauA Vinaria.at afirma que as propriedades de Bordeaux perderam uma oportunidade com preços altos após o lançamento en primeur de 2025 de Château Montrose, 21% acima de 2024. Um especialista citado pela Vitisphere disse que um vinho ainda não lançado deveria custar pelo menos 20% menos que safras disponíveis.
Especialistas: produtores de Bordeaux perdem oportunidade com a safra 2025
Especialistas e corretores citados pelo wein.plus dizem que os produtores de Bordeaux perderam uma oportunidade com a campanha En-Primeur 2025, pois os preços continuam altos em comparação com os vinhos engarrafados. Château Montrose anunciou um preço 21% acima do millésime 2024, enquanto apenas 8 a 10 vinhos realmente funcionaram.
A Decanter revela Montrose Blanc, um vinho branco de pequena produção de Château Montrose, em St-Estèphe, que revive a tradição histórica da propriedade de produzir vinho branco.
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