Os Château Case Files

O Cheval Blanc já foi parte do Figeac?

O Château Cheval Blanc nasceu de terras que o Château Figeac começou a vender em 1832, e as 2 propriedades admitem a venda. Nas primeiras tabelas, ambas estavam na segunda categoria de Saint-Émilion. Um júri de Paris deu ouro ao Cheval Blanc e bronze ao Figeac em 1878, e em 1898 o livro do comércio já só nomeava o Cheval Blanc na frase sobre preços. Só uma das casas conta a história inteira.


Paris, 1878. Na Exposição Universal, o júri deu só 4 medalhas de ouro aos vinhos de Saint-Émilion, Pomerol e Fronsac. Quando a obra de referência do comércio de Bordeaux publicou os premiados, na edição inglesa de 1883, a lista dos ouros incluía "Laussag-Fourgaud, Chateau-Cheval-Blanc, at Saint-Emilion". Entre as medalhas de bronze estava "Fournier, Chateau-Figeac, at Saint-Emilion".

A lista estropia o nome do dono do Cheval Blanc, não o resultado: ele era Laussac-Fourcaud, sobrenome que os livros também dão na ordem inversa, Fourcaud-Laussac. Mesma exposição, mesmo júri, 2 vizinhos em linhas diferentes. A terra que levou o ouro pertencera, menos de 50 anos antes, à propriedade que levou o bronze.

Ninguém, de nenhum dos lados, contesta isso. A história do Cheval Blanc, contada pela própria casa, diz: "Nos 20 anos seguintes, a aquisição sucessiva de parcelas do Château Figeac veio a formar o domínio de 39 hectares do Cheval Blanc." É um intervalo mais longo do que aquele que o próprio restaurador do Figeac daria. A linha do tempo do Figeac registra a venda e não diz quem comprou.

O que o registro acrescenta é a corrida. Nas primeiras tabelas que as nomeiam, nenhuma das 2 propriedades estava na primeira categoria de Saint-Émilion, e em 1853 só a propriedade Figeac levava uma palavra de elogio. O comércio datou a ultrapassagem com as próprias palavras, muito antes de qualquer classificação.

São, portanto, 2 perguntas. Como uma parcela que começou na segunda categoria passou à frente da propriedade de onde saiu? E por que só uma das 2 casas conta a história inteira? Para isso, a melhor testemunha é um homem do próprio Figeac.

Uma condessa vende

O Figeac era antigo, uma propriedade vasta e aristocrática que pertencia aos Carle desde 1654, quando lhes chegou pelo casamento de Marie Decazes.

Sob o ano de 1832, a linha do tempo dedica 2 frases à venda: "A condessa Félicité de Carle-Trajet vende as primeiras parcelas da grande propriedade Figeac após um revés da fortuna. A propriedade atual ocupa o coração da antiga propriedade, em torno das três colinas de cascalho e do château." Nenhuma das 2 frases diz quem comprou.

A história do Cheval Blanc diz: "A prestigiosa trajetória do Cheval Blanc começou em 1832, quando o coração do domínio foi comprado por Jean-Jacques Ducasse." Em 1838, Ducasse levou outros 16 hectares. Thierry Manoncourt, o grande restaurador do Figeac, datou a transferência de 1832 a 1838 num discurso que aparece mais adiante nesta história.

As 2 propriedades reivindicam o coração. O Figeac ficou com "o coração da antiga propriedade"; Ducasse comprou "o coração do domínio".

Ambos na segunda categoria das primeiras listas

A tabela mais antiga a nomear as propriedades Figeac é uma lista de 1841, de Lecoutre de Beauvais, reimpressa no guia de 1850 de Charles Cocks, um inglês cujo livro se tornou, nas mãos do editor Édouard Féret, a obra de referência do comércio, Bordeaux et ses vins.

Nenhum Figeac aparece na primeira categoria. Sob « HAUT-SAINT-ÉMILION, 2me CLASSE » vêm 4 propriedades que levam, todas elas, o nome, cada uma com sua colheita em tonéis (um tonel de Bordeaux são 4 barricas, cerca de 900 litros): « Figeac (Chauvin) 35 / Id. (Largeteau) 25 / Figeac (Lucasse) 25 / Id. (Lebel) 50 ». "Lucasse" é quase certamente Ducasse: o número coincide com o de Franck poucos anos depois. A identificação é inferência minha, e também a leitura de que a segunda categoria vem da mesma lista de 1841.

Assim, se minha leitura estiver certa, em 1841 o futuro Cheval Blanc ainda atendia pelo nome de Figeac, na segunda categoria, como todos os outros Figeac.

O Traité sur les vins du Médoc de William Franck, o livro de preços e rankings do negociante de vinhos de Bordeaux, dispôs Saint-Émilion em 2 listas em 1853. A primeira, « CLASSIFICATION DES VINS DE PREMIÈRE MARQUE », a classificação dos vinhos de primeira ordem, trazia Belair, Canon, Beauséjour e Ausone, entre outros. Os 2 nomes só aparecem na segunda, « CLASSIFICATION DES VINS DE SECONDE MARQUE », a classificação dos vinhos de segunda ordem:

« Au Cheval-Blanc. Ducasse. 25 30 »

« A Figeac. Laveine (très-bon crû) 40 45 »

A propriedade de Laveine em Figeac, que entendo ser a propriedade-mãe, produzia mais e levava o elogio, « très-bon crû », cru muito bom, ainda que dentro da segunda lista. As 2 aparecem escritas como lugares, « Au Cheval-Blanc » e « A Figeac », da mesma forma que « Au Canton », logo ao lado. Nas 2 listas, só Belair já é um « Château ».

Os livros de época destes autos não dizem de onde veio o nome Cheval Blanc. O registro mais antigo entre eles, o de Franck, trata « Au Cheval-Blanc » como nome de lugar, e dos mais comuns: a estatística da Gironda de Féret lista um « hôt. du Cheval-Blanc » e uma propriedade « A Cheval-Blanc » em Saint-Germain-de-Grave, e a edição de 1922 do guia dele traz lugares chamados « Au Cheval-Blanc » em outras comunas. As histórias que hoje se contam sobre o nome são tradição moderna; os livros de época não lhes dão nada.

Mesmo preço, e à parte

A parcela mudou primeiro de rótulo: a partir de 1852, os antigos vinhos de Figeac passaram a ser vendidos com o nome Cheval Blanc. O dono seguinte foi Laussac-Fourcaud, proprietário desde 1854.

Em 1868, o guia de Féret fez algo novo. Tirou os 2 nomes da hierarquia de Saint-Émilion e os pôs num grupo de feitio médoquino, vinhos que « rappellent beaucoup le Médoc », lembram muito o Médoc, e lhes deu o mesmo preço: « Les crûs Château-Figeac et Cheval-Blanc vendent comme tous les premiers crûs de ces deux communes. » Os crus Château-Figeac e Cheval-Blanc são vendidos como todos os primeiros crus dessas duas comunas. Ambos produziam de 50 a 70 tonéis, e o Figeac era então de Loyer.

Uma nota de rodapé traz a descrição mais antiga do Cheval Blanc nestes autos, e uma pista de como a parcela alcançou a mãe:

O domínio de Cheval-Blanc se estende pelas duas comunas de Saint-Émilion e Pomerol. Apresenta uma mistura muito curiosa de solos e subsolos, cuja natureza muda a cada passo. Aqui, solos fortes sobre argila; ali, solos leves sobre argila ou cascalho, ou ainda solos de cascalho sobre alios (crosta ferruginosa). Neste último tipo de terreno, o sr. Laussac-Fourcaud teve a feliz ideia de adotar o cultivo e a poda do Médoc.

« Dans cette dernière nature de terrain, M. Laussac-Fourcaud a eu l'heureuse idée d'adopter la culture et la taille du Médoc. »

A poda do Médoc no cascalho sobre crosta ferruginosa, impressa já em 1868.

O júri os separa

Em 1874, o guia manteve a dupla junta, com um só preço: « Les crus de Figeac et de Cheval-Blanc vendent comme les 1res crûs de ces deux communes. » Os crus de Figeac e de Cheval-Blanc são vendidos como os primeiros crus dessas duas comunas. A tabela dava ao Château-Figeac, de Fournier, 30 tonéis e ao Cheval-Blanc, 60.

Em tonéis, o filho agora produzia o dobro do château que conservara o nome Figeac. A conta favorece o filho. A essa altura, as antigas terras do Figeac estavam divididas entre vários donos, e o château era só um deles. Na tabela de 1886, o Château-Figeac aparece com 30 ao lado de 2 propriedades Latour-Figeac, com 20 e 15: uma, pedaço documentado do Château-Figeac; a outra, como entendo, o vinhedo chamado de « démembrement » dele em 1893, um desmembramento. Juntas, as 3 produziam mais que os 60 do Cheval Blanc. Em 1908, o château sozinho já produzia mais, 150 tonéis contra 100.

A colheita é a medida errada. As certas são uma medalha e um preço.

O ouro do Cheval Blanc foi um dos 4 do grupo de Paris; os outros foram para o Beauséjour e, em Pomerol, para o Petrus e para um só premiado, inscrito como o domínio de Rouget e Gazin. O Figeac ficou com o bronze. No ano seguinte, a mãe perdeu mais terreno: La Tour-Figeac, explica Féret, « est formé d'une partie des vignes du Château-Figeac, acquise par M. Corbière en 1879 », é formado por uma parte das vinhas do Château-Figeac, comprada pelo sr. Corbière em 1879. O retalhamento não tinha parado em 1838.

A frase dos preços não os separou. Em 1886, e de novo em 1893, o guia escreveu « Les crus de Cheval-Blanc et de Figeac vendent comme les 1ers crus de ces deux communes », os crus de Cheval-Blanc e de Figeac são vendidos como os primeiros crus de ambas as comunas.

Enquanto isso, os nomes no Château-Figeac não paravam de mudar. As tabelas registram como donos Loyer em 1868, Fournier de 1874 a 1883, uma certa Mme Wedel em 1886 e Villepigue em 1893: 4 nomes em 25 anos, 5 em 40 se o Laveine de Franck, em 1853, tinha a mesma propriedade, como entendo. O Cheval Blanc ficou com a família Fourcaud-Laussac, « de père en fils », de pai para filho, como disse Féret em 1922, e o homem a quem se atribui a poda do Médoc foi dono dele de 1854 até o ouro de 1878. Os Villepigue, que compraram o Figeac em 1892, eram avós de Thierry Manoncourt. Mais tarde, o próprio neto daria nome a esse vaivém.

Destacado pelo comércio

Em 1893, o guia deu ao Cheval Blanc 100 tonéis e uma linha de elogio: « Ce cru a obtenu les plus hautes récompenses qui aient été accordées aux vins de la région », este cru obteve as mais altas recompensas já concedidas aos vinhos da região.

O Figeac, agora de Villepigue, recebeu a nota mais orgulhosa que o comércio escreveu sobre a mãe. O Château-Figeac, diz o guia, é « contigu au Château-Cheval-Blanc », vizinho de parede do Château-Cheval-Blanc, e ainda « le plus étendu des 1ers crus de Saint-Emilion », o mais extenso dos primeiros crus de Saint-Émilion: 52 hectares, 42 deles de vinha, « sur un sol de grave et de sable », num solo de cascalho e areia. Seu vinho « fut toujours des plus renommés de la région », sempre esteve entre os mais renomados da região.

A mesma edição, 2 páginas adiante, traz a palavra mais áspera. Na nota sobre La Tour-du-Pin-Figeac, o vinhedo entre as 2 propriedades, Féret o põe ao lado do Cheval Blanc, « séparé seulement par le chemin de Pomerol à Saint-Emilion, entre la Conseillante au N. et au S., le Château-Figeac, dont il est un démembrement »: separado só pela estrada de Pomerol a Saint-Émilion, entre La Conseillante ao norte e, ao sul, o Château-Figeac, do qual é um desmembramento.

Em 5 anos, o Figeac sumiu da frase dos preços. Por volta de 1898, o volume de Féret sobre Libourne e a edição do guia daquele ano abriram um cabeçalho novo, « Graves Saint-Émilion », e escreveram: "O cru do Cheval-Blanc e certos primeiros crus desta categoria obtêm os preços atribuídos aos primeiros crus de Saint-Émilion." No francês, « Le cru du Cheval-Blanc et certains premiers crus de cette catégorie obtiennent les prix accordés aux premiers crus de Saint-Émilion ».

O Cheval Blanc, pelo nome; o Figeac, suponho, entre os « certains premiers crus ». Na tabela logo abaixo, os 2 tinham 100 tonéis. Mesma colheita, um só nome.

Em 1922, o guia deu ao Cheval Blanc um cabeçalho só para ele, « 1er GRAND CRU GRAVES SAINT-ÉMILION », primeiro grande cru das Graves Saint-Émilion, e esta frase: « Le cru de Cheval-Blanc, 1er grand cru exceptionnel, peut être considéré comme l'égal d'Ausone dans cette région », um primeiro grande cru excepcional, que pode ser considerado igual ao Ausone nesta região. O Figeac ficou numa categoria de primeiros crus, « 1ers CRUS GRAVES SAINT-ÉMILION », com La Dominique e Ripeau.

O dono do Figeac reconhece o nascimento

As 2 propriedades descrevem o solo de maneiras diferentes. O site do Figeac chama o seu de "um grande e singular terroir de cascalho, o único do gênero em Saint-Émilion". A página do vinhedo do Cheval Blanc diz que ali argila e cascalho se encontram em "proporções mais ou menos iguais". Féret, de 1893 a 1922, deu ao Figeac cascalho e areia. O cascalho está lá, mas o caráter do Figeac vem sobretudo da argila. As 2 reivindicam o coração de 1832; as 2 reivindicam hoje o cascalho.

O nascimento também é contado de outro jeito. Manoncourt passou 3 anos num campo disciplinar depois de se recusar a trabalhar como operário para os alemães. Voltou para casa em 1943, a tempo de trabalhar na vindima. Num discurso de 2009, hospedado no site da própria propriedade, ele disse com todas as letras:

"Embora o Figeac tivesse dado origem ao Cheval Blanc (1832-1838), caíra em decadência por causa das inúmeras trocas de dono antes de ser comprado pela minha família, que por sua vez tinha apenas uma relação distante com a propriedade."

As trocas de dono estão lá, nas tabelas de Féret. A linha do tempo que os sucessores dele publicam não traz "Cheval Blanc", nem "Ducasse", nem "Fourcaud" em parte alguma da página.

A lei manteve seu próprio placar. A primeira classificação de Saint-Émilion veio em 1955, e Ausone e Cheval Blanc ocuparam a categoria mais alta desde essa primeira lista. O Figeac entrou um degrau abaixo e ali ficou; em 2012, a lista promoveu Angélus e Pavie e deixou o Figeac onde estava.

O Figeac havia muito desejava a categoria de Premier Grand Cru Classé "A". A propriedade o conseguiu em 2022, numa lista da qual o Cheval Blanc já não fazia parte. O Cheval Blanc não apresentou candidatura até 30 de junho de 2021. A lista do INAO de 8 de setembro de 2022 diz « Château FIGEAC (distinction A) », o que uma portaria ministerial de 15 de dezembro confirmou.

Saiu da classificação, e o preço se manteve

Até 2022, a retirada do Cheval Blanc e do Ausone não tinha tido efeito relevante no preço de seus vinhos. Uma safra põe as 2 propriedades lado a lado: a crítica de vinhos Jane Anson, no seu panorama das safras de Bordeaux desde 1855, chama o Cheval Blanc 1947 de "especialmente célebre" e escreve que "o Figeac 1947 continua extremamente impressionante também em 2019". A família datou sua fama mais tarde do que o comércio, cuja frase dos preços já pusera o Cheval Blanc à parte em 1898. Edmund Penning-Rowsell, o autor inglês de The Wines of Bordeaux, escreveu em 1979: "A reputação do Cheval Blanc, como me confirmou o sr. Fourcaud-Laussac, um dos dois irmãos proprietários, começou de fato com a famosa safra de 1921."

A sentença

As 2 propriedades admitem a venda de 1832, e o próprio restaurador do Figeac a chamou de nascimento. Nas listas de 1841 e 1853, a parcela e as propriedades Figeac estavam todas na segunda categoria, e em 1853 só o Figeac levava uma palavra de elogio. Féret lhes deu o mesmo preço, como primeiros, de 1868 a 1893, embora o júri de Paris os tivesse separado em 1878, ouro contra bronze. Em 1898, a frase dos preços já nomeava só o Cheval Blanc, e em 1922 o guia lhe deu uma categoria própria e escreveu que ele podia ser considerado igual ao Ausone. Ao lado dessa ascensão, o registro põe 2 coisas: a poda do Médoc no cascalho do Cheval Blanc e uma propriedade-mãe que não parava de trocar de mãos.

Confirmado. Reconhecido pelo vendedor, datado pelo comércio, explicado pelo solo. A parcela saiu na segunda classe e, em 1878, levou o ouro contra o bronze da mãe. O grande restaurador do Figeac admitiu o nascimento com todas as letras; a linha do tempo que seus sucessores publicam ainda não nomeia ninguém. Quem guardou o placar foi a terra.

O vinho

O Château Cheval Blanc foi comprado por Bernard Arnault e pelo barão Albert Frère no outono de 1998. A propriedade tem 42 hectares, divididos em 56 parcelas, e o vinhedo é plantado com 55% de cabernet franc, 40% de merlot e 5% de cabernet sauvignon; o segundo vinho é Le Petit Cheval, tinto e branco. O Cheval Blanc está fora da classificação de Saint-Émilion desde a lista de 2022; sua página inicial ainda diz "Premier Grand Cru Classé A desde 1954".

O Château Figeac pertence à família Manoncourt, com Frédéric Faye como diretor-geral. A propriedade soma 54 hectares num único bloco, quase 41 deles de vinha, com cabernet sauvignon e cabernet franc em 70% do corte e merlot no restante. O segundo vinho é feito desde a safra de 1945 e se chama Petit-Figeac desde a safra de 2012.

Os vinhedos ainda discutem. Nos anos 1960, o Cheval Blanc experimentou a uva do vizinho: plantou-se um pouco de cabernet sauvignon, possivelmente por causa de seu papel importante no Figeac, e a experiência não foi considerada um sucesso. Hoje o cabernet sauvignon ocupa 5% do vinhedo do Cheval Blanc, enquanto no Figeac os 2 cabernets somam 70% do corte. O filho adotou a poda do Médoc; a mãe ficou com as uvas do Médoc.

Cronologia

AnoO que o registro mostra
1654O Figeac passa aos Carle pelo casamento de Marie Decazes. [linha do tempo do Figeac]
Séc. XVIIIO conde de Calonne entre os compradores dos vinhos do Figeac. [Philippe Meyzie, « Du négoce aux journaux d'annonces »]
1832 a 1838A condessa vende as primeiras parcelas "após um revés da fortuna"; Jean-Jacques Ducasse compra "o coração do domínio" e, em 1838, mais 16 hectares. [linha do tempo do Figeac; história do Cheval Blanc; Winedoctor; Manoncourt 2009, "(1832-1838)"]
1841A lista traz 4 propriedades "Figeac", todas na segunda categoria, uma delas provavelmente a de Ducasse (impressa "Lucasse"). [lista de Lecoutre de Beauvais, em Cocks 1850]
1852Os antigos "vinhos de Figeac" são vendidos pela primeira vez com o nome Cheval Blanc. [história do Cheval Blanc]
1853Ambos na "seconde marque", ambos escritos como lugares: "Au Cheval-Blanc. Ducasse. 25 30"; "A Figeac. Laveine (très-bon crû) 40 45". [Franck, 3ª ed.]
1854Fourcaud-Laussac, proprietário. [Cocks e Féret, 2ª ed. inglesa, 1883; G.A.K. 1920]
1862Londres: a primeira medalha do Cheval Blanc, de bronze. [G.A.K. 1920; Cocks e Féret, 2ª ed. inglesa, 1883; Cocks e Féret 1922; história do Cheval Blanc]
1868Empatados e à parte, ambos com preço de primeiros; a poda do Médoc no Cheval Blanc. [Cocks e Féret, 2ª ed.]
1874Château-Figeac com 30 tonéis, Cheval-Blanc com 60; ainda um só preço para os dois. [Cocks e Féret, 3ª ed.]
1878Paris: ouro para o Cheval Blanc, bronze para o Figeac. [Cocks e Féret, 2ª ed. inglesa, 1883]
1879Corbière compra parte das vinhas do Château-Figeac: La Tour-Figeac. [Féret, volume de Libourne; Cocks e Féret 1898]
1886Ainda um só preço para os dois, « comme les 1ers crus »; de novo em 1893. [Cocks e Féret, 5ª e 6ª eds.]
1892 a 1893Os Villepigue compram o Figeac, 52 hectares, 42 de vinha; La Tour-du-Pin-Figeac, "un démembrement" dele. [linha do tempo do Figeac; Cocks e Féret, 6ª ed.]
1898Só o Cheval Blanc é nomeado na frase dos preços; ambos com 100 tonéis. [Féret, volume de Libourne; Cocks e Féret, 7ª ed.]
1908Figeac com 150 tonéis, Cheval Blanc com 100. [Féret, St-Émilion et ses vins]
1921A safra da qual a família data sua fama. [Penning-Rowsell 1979]
1922O Cheval Blanc sozinho como "1er grand cru exceptionnel", "l'égal d'Ausone"; o Figeac com La Dominique e Ripeau. [Cocks e Féret, 9ª ed.]
1955Primeira classificação: Cheval Blanc e Ausone na categoria mais alta, o Figeac um degrau abaixo. [Tolhurst 2022; linha do tempo do Figeac]
2009Manoncourt: "Embora o Figeac tivesse dado origem ao Cheval Blanc (1832-1838)..." [Manoncourt 2009]
2021 a 2022O Cheval Blanc não se candidata (notícia de 9 de julho de 2021); o Figeac é promovido, "distinction A". [Winedoctor; INAO, 8 de setembro de 2022; arrêté de 15 de dezembro de 2022]

Fontes

Fontes de época, lidas no original.

  • Charles Cocks, Bordeaux, ses environs et ses vins classés par ordre de mérite, Bordeaux, Féret fils, 1850, Haut-Saint-Émilion, primeira e segunda classes, segundo a lista de Lecoutre de Beauvais, 1841.
  • William Franck, Traité sur les vins du Médoc, 3ª edição, Bordeaux, 1853, as classificações de Saint-Émilion de primeira e de segunda marque.
  • Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins classés par ordre de mérite, 2ª edição, Bordeaux, 1868, Saint-Émilion, Château Figeac e Château Cheval-Blanc; 3ª edição, 1874; 5ª edição, 1886; 6ª edição, 1893, Château-Figeac, Château-Cheval-Blanc e La Tour-du-Pin-Figeac; 7ª edição, 1898; 9ª edição, 1922, as Graves Saint-Émilion, os prêmios das exposições, a família Fourcaud-Laussac e os lugares chamados « Au Cheval-Blanc ».
  • Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux and its wines, 2ª edição inglesa, Bordeaux, 1883, Saint-Émilion e os premiados da Exposição de Paris de 1878.
  • Édouard Féret, Les vins de l'arrondissement de Libourne, c. 1897 (texto da edição de 1898), Graves Saint-Émilion e La Tour-Figeac.
  • Édouard Féret, St-Émilion et ses vins, Bordeaux, c. 1908, Château Figeac, Château Cheval-Blanc e La Tour-du-Pin-Figeac.
  • Édouard Féret, Statistique de la Gironde, 1874, para o « hôt. du Cheval-Blanc » e a propriedade « A Cheval-Blanc » em Saint-Germain-de-Grave.
  • G.A.K., Clarets and Sauternes: Classed Growths of the Médoc and Other Famous Red and White Wines of the Gironde, Londres, 1920, Château Cheval Blanc.

Bibliografia moderna.

  • Philippe Meyzie, « Du négoce aux journaux d'annonces », para o conde de Calonne entre os compradores do Figeac.
  • Edmund Penning-Rowsell, The Wines of Bordeaux, 4ª edição, 1979, reimpresso em On Bordeaux, Académie du Vin Library, 2020, Château Cheval Blanc.
  • Jane Anson, "Bordeaux terroir: time to change the conversation?", Inside Bordeaux, dezembro de 2024, a partir de um discurso na Académie Internationale du Vin, novembro de 2024.
  • Jane Anson, "Bordeaux Survives the War", em On Bordeaux, Académie du Vin Library, 2020, para Thierry Manoncourt.
  • Jane Anson, "The Vintages, 1855 Onwards", Inside Bordeaux, para 1947.
  • Alex Hall, Vineyard Intelligence, "The price of classification", Inside Bordeaux, 2022, para a ambição do Figeac e o efeito da retirada sobre os preços.
  • Tor N. Tolhurst, "Left, right, or both? Long-run returns from Bordeaux", Journal of Wine Economics 17 (2022), 225 a 240.

As propriedades, o Estado e a imprensa.

  • Château Cheval Blanc, a história (em inglês e em francês), a página do vinhedo e a página inicial. chateau-cheval-blanc.com
  • Château Figeac, a linha do tempo da história, as páginas sobre o lugar e o vinho e a página inicial. chateau-figeac.com
  • Thierry Manoncourt, "The Story of a Life Dedicated to Innovation", texto de um discurso de 2009, hospedado no site do Château Figeac. chateau-figeac.com
  • INAO, a classificação dos grands crus de Saint-Émilion, comunicado de 8 de setembro de 2022, e o arrêté de 15 de dezembro de 2022, publicado no Journal officiel de 22 de dezembro de 2022.
  • Chris Kissack, Winedoctor, as páginas sobre o Château Cheval Blanc e o Château La Tour Figeac, e a reportagem sobre a retirada, de 10 de julho de 2021. thewinedoctor.com
  • Thibault De Gregori, Vintage by UGCB, 21 de setembro de 2020, sobre o nome. vintagebyugcb.com

Como isto foi verificado

Toda citação de época foi lida no texto original, numa biblioteca particular de mais de 244 mil documentos sobre vinho, o mais antigo de 1373. Quando uma edição inglesa é citada, mantém-se a redação dela; as demais traduções do francês são minhas, com o francês logo abaixo dos trechos que mais importam, para você cotejar as duas versões. Se alguma página citada aqui não disser o que eu digo que diz, escreva para antonio@bordeauxreviews.com e eu corrijo.

Para citar este artigo: Antonio Assumpção, "O Cheval Blanc já foi parte do Figeac?", Bordeaux Reviews, Château Case Files 18/70, 2026, https://bordeauxreviews.com/pt/case-files/figeac-deu-origem-ao-cheval-blanc/.

Antonio "Guto" Assumpção vive na interseção entre o direito e o vinho. Advogado admitido na Flórida, em Nova York e no Rio de Janeiro, é também French Wine Scholar e Master of Bordeaux pela Wine Scholar Guild e possui a certificação WSET Nível 3. Antonio estuda, coleciona e degusta vinhos de Bordeaux há 20 anos, e seus artigos unem a análise detalhada ao olhar de um connoisseur sobre o mundo do vinho. Siga-o no Instagram em @BordeauxReviews.

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