Casa do passado

David Gradis et Fils

da-VID gra-DIS ê FIS
Como ler

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De 1717 a 1792 os Gradis, uma casa de Bordeaux de navegação, comércio e banco, armaram 244 navios para as colônias francesas e, nos anos 1750, abasteceram o Canadá francês.


A casa

David Gradis, negociante judeu de origem portuguesa que fazia negócios em Bordeaux desde o fim do século XVII, comprou 3 navios para o Caribe francês em 1717. Em 1728 a casa dele passou a se chamar David Gradis et fils. De 1717 a 1792 os Gradis armaram 244 navios para as colônias francesas. Em 1748 Gradis se associou a François Bigot, intendente da Nova França, e a Jacques-Michel Bréard, controlador da Marinha em Quebec, na Société du Canada. De 1749 a 1755 a casa mandou pelo menos 16 navios aos sócios no Canadá e, em 1751, com a morte de David Gradis, o filho Abraham assumiu a casa. Em 1759 Abraham armou o Colibry, um navio de 140 toneladas, em Cádis, então porto neutro. Os sócios de Quebec e uma casa francesa de Cádis dividiram o custo, e o vinho e a aguardente que levava chegaram a Quebec em maio.

A casa também participou do tráfico de pessoas escravizadas. Armou a primeira viagem do tráfico de pessoas escravizadas em 1730. Em 1743 mandou 2 navios para a África, e ambos foram capturados pelos britânicos no Caribe. De 1763 a 1768 armou 6 navios do tráfico de pessoas escravizadas, enviados a Gorée. Em 1786 mandou 1 navio, o David, à Île de France e a Moçambique, a única viagem à África entre 1782 e 1792. Essas viagens ficaram abaixo de 5% dos armamentos coloniais da casa. Um anuário de 1786 registra David Gradis em Bordeaux como armador e banqueiro, e a Gradis & fils como banqueiros. Quando Moïse Gradis morreu, em 1788, a casa valia 4 milhões de libras, quase metade em propriedades no Caribe francês.

David Gradis, sobrinho e sucessor de Abraham, foi escolhido por Malesherbes para presidir a comissão que examinou a condição dos judeus na França. No século XIX a família tinha vinhedos no palus, as terras férteis à beira do rio, na outra margem do Garonne, diante de Bordeaux. Charles Cocks, o inglês cujo guia deu origem ao anuário do comércio de Bordeaux, atribuiu a Gradis 100 tonneaux (a antiga medida bordalesa de uma colheita, 900 litros, ou 4 barricas) em Montferrand em 1850. Em 1883 Henri Gradis tinha Margarence, em Montferrand, e o Château des Lauriers, em Lormont, estava em nome de Gradis. A mesma propriedade de Margarence, já como Château Margarance et Cailleau, com 125 tonneaux, estava em 1922 em nome de Mme H. Gradis, assim como o Château de Lavergne, em Lormont.

A casa mudou de nome 2 vezes: em 1921 para Société française pour le commerce avec les colonies et l’étranger e em 1957 para Société française pour le commerce avec l’outre-mer. Em 1975, sob a presidência de Henri Gradis, a empresa passou ao comércio dos vinhos de Bordeaux. Foi esse mesmo Henri Gradis quem doou os papéis da casa aos Archives nationales, em 2005.

De relance

Tipo
Casa do passado
Sede
Bordeaux
Fundação
Fim do século XVII, por David Gradis; David Gradis et fils a partir de 1728
Arquivo
Os papéis Gradis, doados aos Archives nationales em 2005
Hoje
Société française pour le commerce avec les colonies et l’étranger a partir de 1921; Société française pour le commerce avec l’outre-mer a partir de 1957; no comércio dos vinhos de Bordeaux a partir de 1975

Fontes

Livros e estudos
Silvia Marzagalli, Opportunités et contraintes du commerce colonial dans l’Atlantique français au XVIIIe siècle : le cas de la maison Gradis de Bordeaux, Outre-Mers, vol. 97, 2009; Mathurin Roze de Chantoiseau, Tablettes royales de renommée, 1786; Charles Cocks, Bordeaux, ses environs et ses vins, 1850; Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux and its Wines, 1883; Charles Cocks e Édouard Féret, Bordeaux et ses vins, 9ª edição, 1922; J. F. Bosher e J.-C. Dubé, Bigot, François, Dictionary of Canadian Biography, vol. 4, 1979

Revisado em 10 de outubro de 2026. Como escolho as fontes

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